terça-feira, 5 de setembro de 2017

e sentava-me eu
nos limites do horizonte
fossem bordas
de um lago, de um rio 
de qualquer mar
com os pés mergulhados
em fresco molhado
súbito e refrescante
corpo acima, alma adentro
furacão
satisfação mãe de todos os sorrisos
de ser feliz

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

esta manhã a luz sofre
um breve torpor rotativo e
sobre si mesma pensa
melhor, se debruça cogitando
sobre o dia que pretende alcançar

acontece que as sombras se avolumam
e crescem tanto que
se fundem com o universo:
este tingido de cinza
não abrilhanta
não fulmina:
a luz agora baça e fria é triste

esta manhã a luz aprendeu
algo que encomendou ao poeta

a posição fetal é para os fetos
o caminhar
tropeça
nas imprecisões do tempo;
umas pedras soltas
que envelhecem
um pouco cada dia

segunda-feira, 17 de julho de 2017

irremediavelmente

aguardo
na invisibilidade a minha vez
não ouso. por nada me insinuo. temo
que não gostes de mim.
sol e coragem rimam até nos dias sombrios

sexta-feira, 14 de julho de 2017

o luar agrada às estrelas
obra sua, cintilam quanto podem
vivem como povos dos céus
desfilam pela noite erguendo a lua

quarta-feira, 12 de julho de 2017

suburbanidade

a pintura que doira na camisola
está-lhe nos olhos guardada
às pinceladas: uma após outra
como os olhares que bota sobre todas as coisas
tudo
é um nada aceso
enganando a escuridão
sou um saltimbanco
nomado-me
insatisfaço-me
procuro quem me ouça
quem me olhe sem me ver
desejo quem me responda
quem me like

santimbanco-me
pela falta do sossego
de ser de estar

cintilo no espelho da água
intolero a vertigem da profundidade
claustrofobia-me achar-me em mim

saltimbanca-me
minha ambição de cintilar-me

quarta-feira, 31 de maio de 2017

terça-feira, 30 de maio de 2017

josé

no dorso da senhora passeio
minha aventura enxergando
onde me extinguirei, em seu seio
pressinto frio corpóreo
roça-me cinza marmóreo
o que me consome é medo
se nela me quedo em sossego
e adormecer
e se acordar eu me nego