terça-feira, 6 de março de 2012

ainda... carinho

carinhos meus
carinhos teus
feitos para trocar
carinho tem corpo
e alinda o amar.

carinhos

carinhos...
são toques
são de amor
podem vir num olhar
nos sorrisos
ou nas palavras.
ao tato..., são melodiosos
ao ouvido..., são doces
ao olhar..., são confortáveis
confundem-nos os sentidos
são gostosos
sabem muito bem.

ainda... ainda... beijos

beijos...
desprende-se o primeiro
soltam-se os restantes
espalha-se o desejo
de não terminar
quantos mais damos
mais temos para dar. 

ainda... beijos

beijos...
são pérolas.
as de um colar
soltam-se,
saltam,
rolam
e nunca mais param.

segunda-feira, 5 de março de 2012

beijos


beijos são segredos
que pomos na pele.
os beijos são quentes
pois são presentes
que vêm do coração.
beijos miudinhos
falam de carinhos
pousam no corpo
e trazem conforto.
os beijos de amor
têm mais calor
dão-se com vigor
e trazem paixão.
os beijos apaixonados
são os mais molhados
arrastam-se na pele
onde procuram
sítios ousados.

ainda, abraços

abraços...
são laços
com que nos atamos
pelos braços
unidos
pelo coração.

abraços


abraços...
são entregas
recebem-se, dão-se.
dádivas de nós
intimidades
sentimentos
que atamos em laços
e oferecemos
na forma de abraços.

sábado, 3 de março de 2012

mares e marés

mar revolto
mar ondulado
mar crispado
maré viva
maré cheia
mar encapelado
mar de espuma
mar fundo
mar gelado
mar frio
mar morto
mar vermelho
mar salgado
mar calmo
mar plano
mar vivo
mar de vida
mar quente
mar fértil
mar cheio
mar vazo
mar de maré
maré vaza
maré boa
mar raso
mar santo
mar sagrado
mar mundano
mar confidente
um mar
para cada momento da vida



sexta-feira, 2 de março de 2012

ainda... desejo de mulher

olha meus olhos
procura-me o corpo
toca meus lábios
exprime-me o desejo louco
que semeio em ti
que anseio em ti
faz-me tua, serás meu
sente-me louca
insolente
apaixonada
gritando aos ventos
este amor que me devora
aqui e agora
ontem e hoje,
amanhã e sempre.
toma-me, contraria-me
procura-me sem sentido
perdido
quero tua paixão
desejo meu corpo na tua mão
onde quero estar
de alma e coração.
procura-me com o olhar
procura-me nos pensamentos
procura-me nos sonhos
procura-me nos desejos
procura-me todos os momentos
sagrados ou profanos
procura-me, deseja-me, encontra-me
que eu estarei lá
para ti.

desejo de mulher

olha meus olhos
esperando os teus
lendo-te
decifrando-te
adivinhando-te.

olha meu corpo
insinuando-se ao teu
movimentos lentos
sinais de abertura
desejo e ternura.

olha meus lábios
procurando os teus
articulando paixão
numa oração
a teu coração.

mensagem

trago a humidade do teu beijo,
o toque da tua pele
o brilho do teu olhar
onde guardo o desejo sentido
a memória do que sentirei.
depois, perco-me...sorrindo...

quinta-feira, 1 de março de 2012

março

chega e com ele espera-se a chuva que nos salpica o rosto e nos torna crianças irrequietas, encharcadas e enlameadas mas felizes, de cara e alma lavadas.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

mensagem

bom dia. espreita o sol que te conta o lado lindo deste dia, murmurando teu nome. beijo até ao sol

ainda... os amigos

amigos
de corpo e de coração.
olhai em volta
vede... como é bom
a vida ser-vos amante
numa paixão arrebatante,
vossa estada contentar...
... os amigos,
vosso nome, ser acarinhado...
... pelos amigos,
vosso sorriso, ser desejado...
... ainda pelos amigos,
que assim se reconhecem felizes...
... vossos amigos.
abençoou-vos, a vida
abracem-na dias sem conta
apaixonem-se por ela
aconcheguem-se em seu regaço
desfiando
amores de amigos.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

desilusão

desilusão
vive no coração
onde habita o amor
arrefece o calor
pode extinguir a chama
que dá vida
a quem ama
apagando o amor.

onde reside o amor

onde reside o amor?
seja onde for
é onde se sente
quente
onde há gente
seja quem for
se se sente
é porque há amor
e lá vive...
o amor.

flor amor

amor perfeito
perfeito amor
tal como a flor
de por ao peito
onde se guarda o amor
onde se tece o amor
perfeito
o perfeito amor
o amor perfeito
tal como a flor.

amor delicado

é delicado
este amor
que te dedico
cada dia
e me delicia
no sonho
do toque do teu rosto
no húmido do teu beijo
no roço quente
de teu ventre
no conforto
do teu peito
onde me deleito
em memórias
do que faremos
a este amor.

é delicado
este amor
por ser amado
abençoado
pela qualidade mor
de ser amor
delicado
como a flor
que te ofereço
e nela me entrego
e por ela te chego
àquele lugar bom
onde guardas e confortas
meu coração
que segredo a segredo
te desvenda minha paixão.

rodando

roda que roda
rodando, rodando
sempre a rodar
círculos descrevem
meu viver
meu andar
atarefando meu dia
inútil, à existência
pelo que entendo
ainda que não saiba
porque me ofendo
com meu sentir
com meu devir
sempre a rodar
rodando, rodando
de roda em roda.

mensagem

se a paixão fosse uma lenda serias uma princesa encantada, na realidade do dia a dia és uma mulher apaixonada. eu esforço-me por ser príncipe, só para te merecer.

ainda o mar...

sabes mar, escondido
por altas e largas montanhas
porque te ouço na alma
porque te vejo no horizonte
porque me aconchega
tua brisa marinha?
porque tens o poder de um deus
e a tua espuma é de água benta.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

na palma da mão

como um sonho doce
na palma da mão
sinto bater-te o coração
sinto aquele beijo
orvalhado de amor,
o peito protuberante
ofegante de paixão.
um sonho nosso
na palma da mão.

rio sentido

poema sentido
nas mãos e no olhar
vivido no peito,
tem a beleza do rio
parte onde o sol nasce
espraia-se, perdendo-se,
admirando-nos
os abraços e os olhares
que trocamos, prometemos
e prolongamos, eternamente
com a ternura do momento
em que o sol se esconde
mergulhando
nas águas do rio.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

ontem...


ontem... portamo-nos como amantes
quezilámos, gritámos, barafustámos
olhos ardentes, portes arrogantes.
depois... debaixo do sol quente
soubemos aproveitar o momento
para concluir nosso amor
aconchegados
num abraço corpulento.
ao fundo tínhamos o mar
que a tudo assistia
bafejando-nos de maresia.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

murmúrio

disseste que és meu
já posso acordar...
não estou a sonhar...
murmuraste feliz.

difícil arte de amar

sinto, algo me diz
que te visita a inquietude
mói-te de mansinho
gera em ti um carinho
não é virtude.
difícil arte de amar
o tempo irá amadurecer
nós iremos crescer.

mensagem

beijinhos milagrosos,
para olhos amorosos.
beijinhos e miminhos
para corações fofinhos.
beijinhos e ternura
para a minha fofura.

prece ao mar

mar, caminho na areia
onde te enrolas, a meus pés
procuro tocar-te, quero tua paz
levo-te nos sonhos
onde me recrio

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

prece ao mar

mar, chega-te a mim
salpica-me de espuma
aflora meus sonhos
onde me brotam alegrias
uma a uma.

prece ao mar

mar, entra-me no peito,
preciso sentir tua força,
revolve-me a alma
acorda-me o pensamento
lava-me as mágoas
e serei um homem novo.

quadra

na escrita te descrevo
as voltas do meu amor
assim faço que se note
a força do teu mote.

um beijo

com um beijo te beijo
bem junto do coração
com um olhar te confesso
minha quente paixão
sabe-me bem, amor
saber que ficas melhor

mensagem

hoje o dia nasceu preguiçoso,
pequeno almoço delicioso,
um olhar amoroso,
um sentir bem guloso,
e a preguiça deste dia,
faz o dia desejoso.
beijo espreguiçado

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

poema a 2 mãos

poema de uma vida
escrita a dois
rabisco a 2 mãos,
2 cabeças e 2 corações
poema longo, demorado
poema sussurrado
escrevemos
celebrando o acontecer
brando...
com que nos olhamos
todos os dias.

poema a 2 mãos
dadas, agarradas
tocadas de amores
gesticulando paixões
numa coreografia
lentamente desenhada
formas redondas,
longas e entrelaçadas
letras deste poema
cujo tema
descreve nosso dia.

prece ao mar

mar, aconchega-me a face
está tensa, gelada,
fizeste-a salgada, de lágrimas
que amantes te ofereceram
e não queres guardar.

mensagem

teu sorriso acompanha o meu olhar... e tenta-me. beijo de amante

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

pomba sem pombal

pombinha bonita
olhar pequenino
aconchegas-te a mim
fico menino
esboças-me um sorriso
mimo doce que preciso
acarinhas-me o momento
fico ainda mais menino.
toco-te o corpo
sinto-o sem penas,
tocas-me a alma
pegas-me fogo
não o posso apagar
abres as asas
fazes-me voar
sinto-me tonto
de tanto rodar.
teu coração pula
o meu quer-te amar.

prece ao mar

mar, gela-me o corpo
que me ferve, que me arde
paixões, iras e desilusões
que alimento sem tento
que preciso apagar.

mensagem

uma parte de mim já chegou. a outra ficou aí e daí não sairá.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

quadras de namorados

tenho um colo para ti
e um beijo para te dar
tenho um peito onde bate
um coração para te amar.

meus olhos querem os teus
marejados pela saudade
meus lábios revelam aos teus
um amor para a eternidade.

sete segredos te conto
com sete mimos sou mimado
assim passamos os dias
em coisas de namorados.

hoje o sol brilhou para mim
hoje o sol me aqueceu
só me vejo neste dia
de mão dada, tu e eu.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

despertar

acordei
teus ditos eram poesia
sentida
do fundo de um sonho
que aprendo a viver
e não sei reproduzir.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

prece ao mar

mar, apanha-me os olhos
fugiram com o pensamento
algures, numa onda, se embalam
perdidos, sem saberem
porque partiram.

mensagem

...sós somos pouco. nosso destino faz-se a dois porque assim fomos criados e gostamos e precisamos. assim nasceu um amor inesgotável...

mensagem

- olá, disse o sol ao dia, abraço-te, aqueço-te, ilumino-te e ficas lindo. faço-me teu, entrego-me a ti e amote. esta conjugação faz-nos valorosos....

mensagem

hoje o dia nasceu bonito. tem sol, orquídea e a certeza que será um dia inesquecível. hoje o dia será bonito porque criado, vivido e sentido a dois, pum pum, pum pum

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

coração confesso


diz-me, coração, se ainda bates por mim
pum pum, pum pum, assim...
diz-me, também, se ainda sabes meu nome
se ainda me sentes de perto
se ainda achas certo
que espere... pum pum, pum pum
que ainda batas por mim.

sinto-te, coração
com meu peito, pum pum, pum pum
oração que rogo, clamo e exclamo
assim te digo que te amo
e ritmada me quero
pelo pum pum que espero
ainda tenhas para mim.

toma-me coração,
assim, me ofereço a ti
desejo encostar-te meu rosto
e quero oferecer-te um lugar
onde possas repousar
batendo... pum pum, pum pum
enquanto pensas em mim.

quero fazer coro contigo
serás meu refúgio, serei teu abrigo
bateremos juntos, dançaremos os dois
pum pum, pum pum
passos soltos, alinhados
movimentos ritmados, pum pum, pum pum
enquanto bates por mim.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

encoberto

descubro-te, encoberto
ausente, tresmalhado
em batalhas perdidas
desencontrado em guerras
onde te destroçaste.

descobres-te de neblinas,
névoas rasas, densas
muralhas fortes, espessas
visitas-me? partes? regressas?
não sei.

desponta-me a saudade
do nosso convívio
tão inocente
quanto espontâneo,
tão fascinado
quanto fascinante,
tão rendido
quanto admirável,
tão confiante,
quanto confiável.

sabes, encoberto?
procurei-te afincadamente
onde te conheci.
ausentaste-te
esperei-te e desejei-te,
desesperei-me,
esforcei-me por te ver.

agora, encoberto,
apareces-me...
regressas? partes? visitas-me?
ainda não sei…

mensagem

ontem tornaste a tv acessória. obrigado por me deixares fechar os olhos na tua presença.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

chove neste jardim

porque chove neste jardim
florido imenso,
colorido intenso, sem fim
oferecendo ao sol
luz radiante
diz-me, a mim
porque chove neste jardim?

a água cria a vida.
é o jardineiro que diz
quando toca na raiz,
faz o jardim crescer
faz a planta florir
e se repousa na flor,
dá ao sol mais fulgor.
enquanto flutua no ar
traça um arco-íris
faz a criança feliz
e a avó sorridente
alegra toda a gente.
entenderás, enfim,
porque chove neste jardim.

a fonte donde brotam as lágrimas
é imensa de emoções
adensam a vida, dão-lhes colorido
fazem do forcado, cupido
fazem da mata, jardim
acordam relâmpagos
e amansam trovões.
entenderás, assim
porque chove neste jardim.

mensagem

quando a voz se cala fica a escrita. assim se compreende porque tantas namoradas têm o nome nas paredes e nas árvores, acompanhado de corações e de AMOR.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

in-tenso

intensa,
assim te defines
vida minha
dos últimos dias.
intensa nas memórias e nas recordações,
intensa nas emoções,
intensa nas amarguras e nas angústias
intensa na dor,
intensa na partilha,
ato de amor perdido,
esquecido, tresmalhado
de ti arredado
vida minha, intensa
que não paras de crescer,
nem por um momento,
e tens dores de crescimento.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

mensagem

temos um dia lindo. luminoso como teus olhos, quente como teu peito, fresco qb para que a sensação de um abraço seja ainda melhor.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

o momento

um dia destes, passado recente, surpreendi-me, ou surpreendeu-me a vida, com a concretização de um sonho antigo. daqueles que nascem no dia em que sabemos ser pai; o desejo de um dia fazermos qualquer coisa com os nossos filhos e que essa qualquer coisa seja algo sério, que fique bem feito(a) e que nos apreciemos mutuamente pela tarefa em que nos envolvemos e pela dinâmica que criámos. realizámo-nos como adultos. agradecemos a ajuda do outro quando, no íntimo, queríamos agradecer a sua participação no momento.
fiz algo com o meu filho e correu bem. esse foi o momento.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

quando te encostas a mim

é tão bom
quando te encostas a mim
assim... ficando
embalando, embalando
doce quente de amor
terno sabor
embalando, embalando
assim...
é tão bom
quando te encostas a mim

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

amigos

amem-se, apaixonem-se
chorem e riam-se
gargalhem... sem tempo
zanguem-se
treinem o prazer e venham-se
regressados de tempos idos,
felizes de passar.
vejam-se e revejam-se
fantasiem-se de esperança
pelo desejo de ser, querer, ter...
de amar
ou simplesmente de estar.
daqui, de onde vos amo
apaixono-me
pelo sol dos vossos sorrisos
ofusco-me
no brilho dos vossos olhares
embebedo-me
com a vossa companhia.
nada mais interessa
sem pressa
quero estar por aqui.

vida minha

gostaria de entender-te
de te fazer entender
que todo o errado
tem um certo
e toda a virtude
abolorece
é assim que acontece.

que fazer?
simplesmente viver!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

fealdade na doença

Fui ao médico e, enquanto envelhecia na sala de espera, dei-me conta que estava rodeado de pessoas feias, feias mesmo, do pior que há. Aperaltadas com as melhores roupas, próprio de quem tomou banho e vai ao doutor, mas intrinsecamente feias. Não percebi porquê.

A tristeza e a fragilidade da doença, pensei. A doença faz com que as pessoas fiquem tristes e este estado pode explicar porque as pessoas se sintam e fiquem feias. Contudo, pode-se ser triste e lindo. Lábios e sobrolho descaídos podem ser explorados e suscitar sentimentos de compaixão e carinho e constituírem-se numa performance altamente sedutora e provocando desejo de aproximação. Mas não era este o caso. As pessoas eram feias e causavam repulsa.

A angústia, aduzi. A angústia da doença, do sofrimento, eventualmente, a angústia da morte ou até a angústia por se ter tomado a consciência que se tem fragilidades. Mas a angústia de uma criança não a torna mais feia. Antes pelo contrário, pegamos-lhe ao colo por impulso e protegemo-la. Aquelas pessoas tinham algo que provocava asco.

Egoísmo, encontrei, finalmente. Era aquele egoísmo próprio de quem está doente e acha-se mais doente que os outros, pelo que têm prioridades e direitos infindáveis, sem que haja espaço para os outros e para as respectivas necessidades. Aquelas pessoas tinham estampado no olhar o instinto de fera, aguardando o momento em que podem ultrapassar o parceiro para chegar à frente do outro. Era isto que as fazia feias.

Eram pessoas sem espaço para a solidariedade, cheias do egoísmo mais egocêntrico que possa encontrar-se. O olhar delas não tinha nem inspirava compaixão só o pacóvio sentimento que a sua dor é sempre superior à dos outros.

As roupas novas assentavam-lhes como fardas. Vestiram-se, pentearam-se e expressaram-se como fardados que tinham uma missão: ser atendidos à frente de quem quer que fosse, esgrimindo o seu estatuto de doentes, para se tornarem importantes. O que não entendem é que são doentes por isso mesmo.

(a propósito da consulta de 2012.01.12; 17-18:30h)

sábado, 21 de janeiro de 2012

ato de contrição

mentes!!!!!
acuso-me
mentes sempre que planeias, suspeitando não cumprires.
mentes sempre que te ocupas de pequenos nadas, que tornas importantes para justificar o adiar.
mentes sempre que adias o trivial, esperando que amanhã seja um dia diferente.
mentes a ti mesmo todos os dias.
mentes a ti mesmo várias vezes ao dia.
mentes! mentes! mentes!

mentes quando adias o teu sono, porque a consciência te dói mais quando te deitas.
mentes quando te levantas desejando um dia diferente e te agarras à primeira ocupação que encontras.
mentes quando te olhas ao espelho e decides ser o que não és.
mentes quando te convences capaz de te decidir fazer.
mentes! mentes! mentes!

agonias!!!
agonias em cada momento do teu dia.
agonias sempre que tentas viver, mas só sobrevives.
agonias sempre que mentes a ti mesmo.
agonias quando te confrontas com as tuas mentiras a ti mesmo.
agonias quando mentes,
mentes enquanto agonias!

vida mesquinha

cheguei com a vida amontoada e descarreguei-a num monte onde a vida de outros dias se acumula, também de forma amontoada. toma uma forma disforme que não se pode ver feia, mas não se entende. não se entende a forma, não se entende o monte e acaba por não se entender a vida.

armazenamos vida num acumulado diário pelo ávido impulso recoletor. enchemo-nos, ficamos cheios, sem espaço para a mínima reorganização interna. gera-se uma impossibilidade endógena de classificar e de priorizar. damos connosco nesse amontoado de vida, sendo-lhe parte integrante.

modificamo-nos determinantemente. ficamos incapazes de organizar o mundo fisico. as prateleiras e os armários passam de organizadores (por definição) a objectos supérfluos sem utilidade real que vá além de um repouso de consciência.

este amontoado físico, sem sentido nem ordem, revela-nos a nossa vida, amontoada, também, de passados e presentes dos quais sobressai o lado pestilento, seja pela imagem seja pelo odor. o futuro, o futuro mesmo, desaparece, esfuma-se, porque não temos disponibilidade para ele, empenhados que estamos a recolher presentes que laboriosamente acumulamos ao nosso amontoado de vida. o nosso tesouro de existência mesquinha.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Pensamento: também se escolhe ser feliz

quando se recorda a alguém episódios ou rotinas idos, sentidos com grande carinho e em troca recebemos a evocação de uma má memória, isso pode só significar a inabilidade para esse alguém ser feliz.

há quem escolha mortificar-se no que a vida tem de mais negativo só porque ainda não encontrou a paz de amar e, um dia, escolheu ser "mal amado".

fica-se "mal amado" toda a vida.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

mãe, PARABÉNS

porque hoje é seu dia de aniversário, eu conto os segundos para lhe ligar. não quero acordá-la mas quero que sinta que me lembro de si e que a tenho no coração. quero muito que hoje se sinta bem minha mãe.
está no meu ADN, está nas minhas memórias, está na minhas rotinas e está no meu coração onde passou de inquilina a convidada privilegiada. a seu jeito fez-me sentir prazer, reconhecimento e bem estar por a receber num coração que se foi abrindo e moldando para si.
ensinou-me a amar, por isso eu e, secretamente, as pessoas que amo lhe estamos todos muito gratos. hoje sei o que é amor de mãe e porque tem dimensão infinita.
eis a razão porque estou impaciente para lhe telefonar; sei que vai sentir a minha alma nas palavras que trocaremos neste dia de PARABÉNS.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

vida e o seu contrário, paradoxos de uma existência

lembro-me, sem recordar, dos momentos em que fazemos o contrário do que pretendemos para obter o desejado. será isto o paradoxo de uma existência ou o contrário da vida?

fazemos que não vemos alguém que nos é importante e com quem desejamos estar. dizemos não, ou sim,  sabendo que caminharemos em sentido ao que dissemos. procuramos o irresistível que verbalizamos querer evitar. afastámo-nos para conseguirmos amar, quando um amor já não se faz de existências, de comunhões e de compromissos, mas tão somente do desejo de amar.

quando o futuro tem uma linha esbatida, afastamo-nos e desfocamos mais o olhar, para o imaginarmos no desejo, e assim incorporamos esse horizonte no que mais queremos: um projecto de amor com um futuro.

descobri a importância do paradoxo na vida. sempre o entendi como incoerência, um erro de entendimento. mas, de facto, pode ter uma função organizadora.

vida minha

partilhei-te, vida minha
abri o baú
onde te escondes
sempre que os olhares crescem.
expus-te na nudez
desmascarada de uma alma.

alinhámos
memórias sentidas,
emoções vividas
sentimentos crescidos
reescrevemos tempos idos
nos enamorámos
pelo que partilhámos.

desvaneceu-se,
pudor do errado,
acontecer imperfeito.
expomos
emoção da razão
pensamento do peito
num gesto, velado e normal.

passo a passo
secretamente caminhado
sem sabermos,
gerámos o dia tenteado
invisível e normal
escrevendo de nós
melhor e o pior,
amarguras e euforias
tristezas e alegrias
agora expostos.

vida minha
só existes
porque te partilhaste
com outras vidas.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

beijo de amante

beija-me, como d'antes
onde se beijam os amantes
como se beijam os amantes
entrega-te por um instante
num beijo
quente, doce, arrebatante
desejo em forma de beijo
é o beijo que desejo
teu beijo de amante

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

miragem

procuro-te...
uso tod'avidez que encontro
chego fora de tempo
recrio-me
reinvento
formas de manter meu tento
em doce conjugação.
desentendo tanto não.

domingo, 25 de dezembro de 2011

presente do Natal

não estejas triste
meu natal de dezembro
guarda tudo o que lembro
guarda o dia de hoje
e oferece-mo
sorrindo
meu presente,
num embrulho lindo
da mão do Pai Natal

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Tempo gourmet

Mudei-me!
Saí do casulo e afasto o passado como uma concha onde já não caibo, não porque tenha crescido, mas porque me modifiquei na forma e na essência.
Mudei-me sem lugar nem tempo. Mudei-me por dentro. Vejo e desejo diferente, toco, rio e sinto com o peito. O interessante desfez-se e o desconhecido ganhou.
Tacteio a vida mantendo-a presente, no presente, e relativizo futuros e pretéritos. Minha escala de tempo descontinuou-se e o relógio tornou-se supérfulo. O tempo ganhou sabor e trato-o como iguaria gourmet.
Mudei-me e ainda não aprendi a descrever-me, falta-me métrica, sintaxe e vocabulário. Por isso me sirvo de metáforas que desvendarei no meu tempo em forma de gourmet.

domingo, 4 de dezembro de 2011

depois

depois,
fecho os olhos.
na luz minguada do quarto
vejo teu olhar reduzido
no prazer remanescente.
tacteio-te numa carícia
envolvo teu corpo,
quente.
falamos em silêncio,
concentrarmo-nos
em nós
porque sem entender porquê
sabemos que pensamos um no outro

terça-feira, 29 de novembro de 2011

sms

Sabes que tem de bom este dia?
A tua presença. Ainda que não estejas no meu colo sinto-te comigo e entrego um beijo terno a esse sentir.

tédio

dói-me aquele lado,
desconfortável.
escrevo folhas internimáveis
palavras loucas, desalinhadas
perdidas e desencontradas
sem mensagem, sem texto
saem palavras,
expressão do desconforto
que não se entende
a vida o gerou
a vida não o compreende.
o tédio se instalou.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

penso em ti

amote, amando-te
encanto-me em silêncio,
sem falar.

mãe

quantas vezes me despedi de si. tantas que perdi o tino e não me sinto preparado para trocar mais um olhar de despedida.
por isso, agora, preciso de um abraço, do seu abraço com toque de colo e um murmúrio sereno que me acalma, fazendo-me sentir que tudo está bem.
aconchega-me a alma, encosto a cabeça e adormeço reconfortado.

sábado, 26 de novembro de 2011

pai

parabéns pelo aniversário, pelo desejo de viver e pelo respeito pela vida.
obrigado pelo sorriso que nos fez, pela satisfação de nos ver e pela alegria de estar connosco.
soube bem relevar as limitações e as dificuldades para lugares menos acessíveis da memória e disfrutar do dia de hoje.
lentamente, ficámos intimos; seu desejo concretizou-se.
aproveitamos cada bocado, assentámos rotinas para partilhar afectos e, lenta e discretamente, saboreamos a última oportunidade de darmos um abraço, um beijo e um carinho.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

sms's

Ele
Bom dia, espera-te um dia feliz e eu, feliz, espero-te, neste dia.

Ela
E passo o meu dia contigo no coração. AmoTe.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

pensamento 7

minha vida tresanda a algo que não sei. não sei se desconheço o cheiro ou se já me foi familiar. sei que tresanda, o que significa que não gosto, que me agonia, que odeio. concluindo, tenho um lado da minha vida que não gosto e não sei identificar qual, nem a razão deste não gostar.

assim se define a infelicidade.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

eterno momento

um dia zanguei-me
orgulho ofendido
amor frustrado
dorido pela mingua de carinho.
a vergonha nasceu
de mim, por mim, para mim
não distingui e ofendi-me
zanguei-me
num eterno momento.

meio cento de meiguices

exploro mundos desconhecidos, eventualmente proibidos. descobri solarengas brisas de um morno refrescante que me renovam na perspectiva e me rejuvenescem no pensamento. meu viver encontra sentido e a vontade perdida aproxima-se num desejo de vida e numa memória do futuro. reconheço-me lentamente no existir. reconheço-me na satisfação com que olho o dia e o passar lento das semanas. abraço o tempo e acaricio-o  pelo amor que lhe sinto e pelo bem-estar que me oferece, sem saudade. descomprometo-me e encontro o há-de vir, sem pressas, moldado pelo sabor do agora e afinado pelo sentido do desejo.

sinto uma mão entrelaçada na minha, apertando num doer confortável; desejo intrínseco de partilhar todas as dimensões da minha existência num murmúrio carinhoso e ternurento, abençoado no prazer de dar. amor sentido que havia esquecido, talvez desvanecido, esfumado este bom sentir enamorado.

meio cento de meiguices me tocam, humedecem-me o olhar e secam-me a garganta ao ver os que se sentam à mesa comigo oferecerem-me o lado doce da minha vida.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

saudade

amote,
tenho saudades tuas
e dos teus beijinhos,
dos teus abraços
e dos nossos colinhos,
tenho saudades do teu sabor,
do teu olhar,
do teu sorrir
e do teu amor.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

pensamento 5

organizo-me para a solidão, encaixado num canto do mundo, despojado de tudo, excepto do meu orgulho. deixarei tudo para trás, quedar-me-ei apaixonado nas memórias, odiando cada agora, enquanto desprezo o futuro. envelhecerei apaixonado sem alma para amar.
morrerei de desejo de acabar, só para sair deste canto onde me sinto vestido de orelhas de burro.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

pensamento 4

amote, princesa minha do reino do amor.

nós

amote,
por mais dias que passem
não envelhece
este amor antigo
que te dedico
pelo destino
de ser feliz,
amando-te.
nasce-me
a luz dos teus olhos
que me sorriem
sem que eu mereça,
encanto-me
por se perderem nos meus
e assim ficarmos,
sem falar,
fazendo juras de amor.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

pensamento 3

A cobardia, mais tarde ou mais cedo, faz-nos cair no lado hediondo da vida. A coragem de dizer não e de dizer sim é que nos faz encontrar a felicidade, nem que seja de miragem.


domingo, 28 de agosto de 2011

meu mundo risonho

gosto de ti
a vida ensinou-me
por ti
a ser melhor
amando-te.
fizeste-me bom
assim,
apaixonado
sentindo em ti... por ti
um mundo risonho.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

teu olhar apaixonado

olhas-me bonita
no teu sorriso
piscas-me um olho
e ris com os dois
inclinas teu rosto
que se alinha com meu ombro
meu peito pula
meu olhar corre para ti.
controlo-me
para não te abraçar
sinto-te em meus braços
de peito encostado
num só bater
de coração apaixonado.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

perde-se a lucidez

perde-se a lucidez quando só vemos o nosso umbigo. perde-se a lucidez quando procuramos a nossa culpa em todos os acontecimentos da vida. perde-se a lucidez quando procuramos nos outros as responsabilidades para as nossas culpas. perde-se a lucidez quando julgamos que a nossa dor nos faz bem e as nossas lágrimas nos tornam mais lindos. perde-se a lucidez quando achamos que os outros são a plateia e nós os actores de uma cena  de infelicidade intensamente dramática. perde-se a lucidez quando nos repetimos em raciocínios circulares e nos ocupamos em pensamentos labirinticos aos quais perdemos o norte. perde-se a lucidez quando não sentimos para além do nosso corpo. perde-se a lucidez quando as memórias só servem para atormentar. perde-se a lucidez quando dimensionamos o futuro à medida da nossa dor.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

domingo, 14 de agosto de 2011

aqui

aqui de onte estou
nossa cadeira
balança para o mundo
agita-o
serena-o
embala-me.

aqui de onde estou
nosso jardim
vejo nuvens escuras
definem-se
na linha do horizonte
fica lindo.

aqui de onde estou
numa aldeia
ouço
chocalho de vaca
que se afasta
com a voz do dono...
fica nostalgico

aqui de onde estou
tenho amores
diferentes
completam-se
enchem-me
fazem-me feliz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal
Este ano vou pedir
Uma prendinha
Muito especial.

Não é preciso embrulhar,
É só dar:

Todos os dias da vida,
mesmo quando amuados,
zangados,
ou apenas desencontrados,
um beijo de despedida
e um beijo à chegada.

Um beijo que lembra
que eu sou "a tal",
que tu és "o tal",
é o que eu peço
de prenda de Natal.


(escrito em 09.12.2003)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

amor....

doçura....
vem do ar que respiras
do toque 
com que nos agracias,
da tua meiguice.

belo...
vem dos teus olhos
verdes,
expressivos
falam antes de ti.

feliz...
é o que sinto
ao pé de ti
vem-me de dentro
impelido por ti.

graça...
define-te,
sai-te dos poros
e repousa em nós 
como uma benção.

amor...
nasceu de ti
cresceu por ti
vive de ti
sou teu.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

pequenas coisas

pequenas coisas
fazem a vida
cheia, plena
confortavelmente amena
contigo,
só porque fomos os dois
pequenas coisas.

fomos parceiros
num sorriso
numa loucura
num sonho
adiado
concretizado
de pequenas coisas.

rimos, assim
divertidos
juntos
fizemos vida
fizemos amor
felizes...
de pequenas coisas.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

vem comigo

agastas-te, na vida
que recusaste,
vive-la...
teu olhar revela
a angústia
da obrigação
de a viver.

cansas-te
de estar nela
sofres nela
agustias-te nela
ocupas-te nela.
não vês o mar
não sentes a brisa
não cheiras a maresia
não te guias
pela curiosidade ingénua
de um olhar sem ver.

vives
em rotinas de actos
circulos de ideias
escondes-te nas nuvens,
na tuas nuvens,
ficas cega para o sol
que te sorri
e te convida
para o calor do verão
para a luz da primavera
onde as borboletas
saltam de flor em flor
e as cigarras te cantam
trovas de amor.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ser pai

Há coisas indescritíveis. Ter um filho é uma dessas coisas. Não é tanto uma questão de arte, mas de palavras e de semântica que exprima aquele misto de orgulho e felicidade intrínseca que se espelha em tudo o que vemos, sentimos, ouvimos e fazemos. É uma felicidade louca de boa que nos faz sentir o direito de fazer seja o que for para garantir amor e felicidade àquele bebé. Ser (sentir) pai é esta loucura apaixonada onde a nossa felicidade está no que fazemos para garantir o sorriso do filho. Esta descrição de um sentir quase neurótico é, porventura, a maior aproximação do sentir pai e que terá garantido a sobrevivência da espécie.

Engana-se quem pensa que isto só acontece com os bebés. Estes crescem e os pais sentem o mesmo. É como se uma parte do seu corpo crescesse autónoma. Não, não é bem isso, porque o amor, o cuidado e a nossa necessidade dessa parte (autónoma) é muito superior ao que de mais importante o nosso corpo tiver. É uma importância à parte que não se discute, somente é a nossa razão de viver.

Assim descrito ser pai parece um castigo. Porém, é a felicidade.

Ser pai é olhar para o filho, ver o futuro e sentir orgulho no amor que temos. Ser filho é olhar para o futuro onde o pai é sempre o passado.

Brindemos: "à nossa"

Um brinde. Tilintam os copos ao som melódico do "à nossa" sobre o fundo de um pôr-do-sol, real, pelo calor que se sente e pela luminosidade rasante que resplandece os líquidos das nossas taças e que pronuncia as formas dos nossos corpos. O teu rosto ganha um fascínio algo enigmático onde as sombras, nos diversos matizes, ganham um papel importante na leitura que faço das tuas expressões.

Levamos o copo à boca sincronizados numa vigia de quem deseja, acima de tudo, estar no ritmo, como se de uma dança se tratasse. Dou um gole grande que engulo devagar, refrescando-me, fecho os olhos prolongando o momento...

Perscruto-te no teu pensar, no teu sentir, na tua linguagem corporal que não se revela, indago o teu olhar que não se deixa prender no meu. Falamos sobre coisas mundanas evitando tomar partido, cingimo-nos a factos e não expomos as nossas interpretações. Falo sereno, dou-te tempo mantenho uma pose de braços afastados informando-te, secretamente, da minha disponibilidade para ser continente, seja qual for o conteúdo.

Vejo-te alinhada na perfeição da cabeça aos pés. Estes assentam no chão com aprumo, mantendo-te um bom apoio, apesar de estarmos sentados. Tua maquilhagem é perfeita, discreta e tudo está no sítio. Teu corpo, hirto, solta palavras e liberta sorrisos parecendo utilizar somente os músculos da face. Impressionante, nem a cabeça desalinha. Teus joelhos belos, compõem-se formosamente, repousando.

As tuas mãos movem-se em círculos e elipses, acariciam o copo, o tampo da mesa e acariciam-se uma à outra; não param. Desejo tocar-lhes explorar seu toque, indagar sobre a tua pele. Tento o toque casual - acidente - mas as tuas mãos coordenam-se na perfeição e não querem perturbar o espaço que vou ocupando em direcção a ti, ao alargar a minha pose. Falas, sorrio, mas não te ouço; sigo as tuas mãos.

Apanhei a tua mão direita com a minha esquerda. Consentiste, a resistência foi só inicial. Olhei-te nos olhos, vejo-os perfeitos, lindos, profundamente doces e quentes, não têm o gelo que esperava encontrar. Teu corpo agora é um arco para a direita. Tua cabeça agora inclinada e voltada para baixo revela outras linhas do teu rosto; recorte de queixo e implantação das orelhas; impõe que o teu olhar agora esteja erguido para mim. Meu corpo reage interiormente e tu sente-lo pelo meu toque.

Tua mão relaxa, e foge-me da garganta um pensamento: - "que linda ficaste". Ruboresceste de leve, desviaste o olhar por uma fracção de segundo e logo voltou mais brilhante. Continuamos falando de assuntos mundanos mas agora com emoção e sentimento. A conversa ganhou um outro sentido. A tua mímica alterou-se. Deixas uma mão repousando em mim e com a outra, enquanto falas, vais acariciando o teu rosto, tua orelha, teu pescoço insinuando-me como são belos e pulsantes. O teu peito agora tem movimentos respiratórios amplos e sinto o pulsar do teu coração nas tuas carótidas.

Arrisco aproximar-me de ti, sentando-me a teu lado. Escolho o direito para que nossas mãos atravessem nossos colos. Ajeitas-te no sofá para eu caber. Fascina-me a coreografia dos teus joelhos cruzando-se e as carícias que lhes dedicas com a tua mão esquerda.

O teu perfume é agora um odor doce e quente de um corpo que pulsa e que comunica, inclinando-se de leve para o meu. A tua expressão seduz-me e a luz rasante do pôr-do-sol dão-te uma luminosidade que indescritivelmente te adoça a expressão. A tua gargalhada... ouço-a, agora, mais doce.

Termino o gole e abro os olhos, ainda sinto o fresco a bebida correr-me pala garganta abaixo. Percebi que estive ausente, esboço-te um sorriso exteriorizando o prazer que senti com a tua companhia, sonhada. Entendes algo de diferente no meu sorriso mas não compreendes o quê. Continuamos conversando.

(escrito em 05.08.2011)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

acho que..

acho que gostas de mim
acho que não me esqueces
acho que te preencho todos os espaços
acho que te ocupo todos os sentidos
acho que me desejas sem fim
instalei-me no teu coração
onde repouso sem sossego
num palpitar doce
tecendo meu amor por ti

pensamento 1

amor é o que sinto por ti e me explode no peito, por me crescer no coração.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

assim me entrego a ti

tu és o poema da minha vida,
o teu olhar a poesia que me inspira
e a tua aura é o sopro de paixão
que me emociona de felicidade.
assim me entrego a ti.

1º encontro

Encontro
Pressinto teu odor
enfeitiçando-me
devagar.
Sussurro-te
ao ouvido
o sentir
que me ateias.
Aconchego-te
em meu regaço
saboreando
cada momento.