sexta-feira, 7 de setembro de 2012

em setembro

no quente de setembro
final de verão
agarramos 5 estrelas
tantas quantas cabem na mão
escolhemo-las no firmamento
de luar bem luarento
onde eram todas belas
ficamos perdidos, de vê-las
reluzentes, cintilantes
diamantes de presente
se ofereceram, uma a cada dedo
e 5 nos cairam na mão
no final do verão
em setembro, ainda quente.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

aliança

a intuição é discreta. insinua-se, segreda, agindo mais pelo implícito que pelo manifesto.

segredou-se um certa intuição, aquela que tantas vezes ignorei, que há noites em que as estrelas se aperaltam para, reluzentes, se passearem no firmamento, como transeuntes domingueiros, com o doce intento de se fazerem notar.

essas noites ficam iluminadas, alegres, pejadas de pontos luminescentes que da terra miramos inexplicavelmente radiantes, felizes, de corações palpitantes e quentes, enquanto procuramos uma mão e um olhar para nos acompanhar.

abrindo a mão para o céu, cada um dos dedos se alinhará com uma estrela, cumprindo-se o intento de todas elas: criar laços para a eternidade.

assim se faz a aliança entre o céu e a terra.

grito de uma gaivota

ouvi a minha voz
no grito de uma gaivota
aquele tom desafinado
entre o grito e o berrado
arrepiou-me, a melodia
que senti, visceralmente
o conteúdo foi-me indistinto
e parco de entendimento
como lamento...

escrita sem tema

treta na gaveta
perdido no vidro
olhar na janela
pensamento na bela
adormecida na cama
cheirando quem ama
obsessão de alma
letra a letra acalma
fogo ardente
sabor a mar
pensamento a viajar
explorador de mundos
vidas sonhadas
vividas, esquecidas, lembradas
brisa amena
aragem marinha
onda serena
magia de vida, varinha
condão de vida, viver
ciência do ser
humano, vivo, pensante
certo, errado e errante
inventor da utopia
da razão e da paixão
lenga-lenga fluindo
no ritmo do coração
tão fluente no sentido
como etérea na razão.

palavrear

porque é mais fácil:

pronunciar cortina que descortinar
criar problema que desproblematizar
ver catástrofe que descatastrofizar
ou
pronunciar problema que desproblematizar
criar catástrofe que descatastrofizar
ver cortina que descortinar
ou
pronunciar catástrofe que descatastrofizar
criar cortina que descortinar
ver problema que desproblematizar...

respire-se fundo antes de falar.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

destino

o que a vida tem para mim
o que me está destinado
não procuro saber
prefiro-o bem guardado
porque a vida só interessa
enquanto for uma surpresa
que faça desalinhado
o princípio, do fim
e nas curvas do desalinho
dermos por encontrado
do viver, o prazer
e da vida, o seu tino.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

desconhecida

passou por mim
desinteressada
vendo em mim
um qualquer
passeava, andarolava
ousando
seu corpo de mulher.

teu olhar

guardei-te o olhar
onde não o podes tirar
pelo absurdo temor
que me pudesse escapar
que me fosse roubado
que me ficasse distante
que se tornasse ausente
ou se quedasse diferente
que eu não o consiga ler
ou não o saiba interpretar
tal a ânsia de amor
tão desusado este amar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

magia

onde céu e terra se unem
e se tocam por um momento
ficam os jardins estrelados
e florido o firmamento.

sangramento

ao pé, tenho um café
em mim, a ânsia de escrever
no ar, uma música do momento
ao fundo, vozes soltas
na consciência, pesa o atraso
no cumprimento de um dever
sobrepõe-se a ânsia
sangra-me um poema
hemorrágico, incontido
relaxo quando, letra a letra,
alinho um sentido
a que dou significado.
assim...
minha alma luta para viver.

reencontro

perdi-me do amor
perdi-me do corpo
perdi-me da alma
perdi-me da paz
perdi-me de mim
perdi-me de todo
foi então, que tudo
veio até mim.

retorno

cheguei desejando partir
ou não estar, podia
simplesmente não ser
a chegada mais odiada
a maldição do dia.

domingo, 2 de setembro de 2012

ombro do meu amor

chegou-se-me o ombro
desafiador
pediu-me beijos quentes
pediu-me amor
trocava por calor
de ombro quente
carente de amor
fez-se doce delicado
pele de anjo, macio
e tornou-se desejado
quente e fresco no sabor
fi-lo meu, aconchegado
dei-lhe um beijo
o meu melhor
e deixei-me apaixonado
repousar no ombro
doce do meu amor.

patxi andion

hoje ouvi patxi andion
voz grave, quente e meiga
forte de emoção
senti-me adolescente
desejando, suplicando sentir
que me rasgassem o coração
... viciado na comoção
crente que a força vem de dentro
de algo a que chamei peito
mas que poderia ser a alma
como lhe chamo agora
que tenho a vida mais calma.
ouvi patxi andion
foi bom, sentir adolescente
fumegar a alma quente.

cheguei

cheguei, onde deveria estar
cheguei, que bom chegar
cheguei, sabe bem
saber que quero estar aqui,
cheguei, nem quero repousar
apetece-me mesmo... estar, assim
bem chegado ao meu jardim.

sábado, 1 de setembro de 2012

sonho

entre a noite velha
já cansada de o ser
e a manhã menina
pronta para romper
beijei-te num sonho
sonhei-te num beijo
dei azo ao desejo
fechei meus olhos
senti nos dedos
as linhas do teu corpo
lindo de mulher.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

meu sonho

na sombra de uma gaivota
partiu meu sonho
além do mar, onde caiu
e debandou na espuma das ondas
a mesma que salpicou rochedos
e me aspergiu o corpo
abençoando-me, refrescando-me
como o sabor de mar.

e o mar, longo amigo
fez-se onda
enrolou-se na areia
rebolando a meus pés
entregou-me o sonho
que tomou no colo
caído da sombra
de uma gaivota.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

corpo infinito

teu corpo
sentido de céu
onde me abraço
e fico pingente na forma de gente
balanço de dança, ondeando
serpenteando pelas estrelas
fragrâncias mil, de luares cheios de lua.
teu corpo
quente de verão em noite estrelada
fresco de brisa morna de mar
sereia e fada, me encantou
num doce canto de embalar.
teu corpo
terra de além, infinito em forma de porta
nele navego, me perco e me encontro
sonho e acordo, sinto o sol
e nada mais importa.

a graça da saudade

tenho uma vida cheia
pela saudade que alimento
na tua presença
e me deixa adormecer
de pensamento abraçado
à emoção
que me chega com teu olhar.
gracioso sentimento...

arte de vida

vida não é uma luta
é arte do entendimento
aliança, de várias facetas
discernimento
para ser vivida, a vida
precisa da paz, calma
gerada na confiança
vida de luta é briga interior
sem paz nem ideais
os únicos porque vale a pena lutar
em paz.