estremunhei para a manhã
aturdi-a
de uma só vez tomei-a
antes que partisse de mim
quarta-feira, 29 de abril de 2015
sexta-feira, 24 de abril de 2015
geometria da noite
a noite
como se desenha a noite?
com um traço, assim
despojado reto
entra nela, por fim
a curva em traçado
de esfera, envolve
isolando
o movimento, só
como se desenha a noite?
com um traço, assim
despojado reto
entra nela, por fim
a curva em traçado
de esfera, envolve
isolando
o movimento, só
sexta-feira, 17 de abril de 2015
divagando
i.
a nascente dos dias jorrava-os longos,
infinita,
espremidamente longos
acontecia serem puxados a pulso
por todos os pulsos do mundo
o que os fazia mais longos e desejados
e tomou esta forma, o tempo:
longo e desejado
ii.
segue o patamar da rua empoeirada
abeira-te dos parapeitos
das janelas joga-se a luz de um para outro lado
se o fogo respeita a noite, aquecendo-a
ela gosta
e irmanam-se pela lareira
iii
o que afasta as pessoas
não é a distância mas a falta dela
a sobreposição e o empurro:
o antes de tudo, o antes de nada, o antes de mais
e o pior, o antes de todos, que a ganância tem
a nascente dos dias jorrava-os longos,
infinita,
espremidamente longos
acontecia serem puxados a pulso
por todos os pulsos do mundo
o que os fazia mais longos e desejados
e tomou esta forma, o tempo:
longo e desejado
ii.
segue o patamar da rua empoeirada
abeira-te dos parapeitos
das janelas joga-se a luz de um para outro lado
se o fogo respeita a noite, aquecendo-a
ela gosta
e irmanam-se pela lareira
iii
o que afasta as pessoas
não é a distância mas a falta dela
a sobreposição e o empurro:
o antes de tudo, o antes de nada, o antes de mais
e o pior, o antes de todos, que a ganância tem
sexta-feira, 10 de abril de 2015
ócio em fim de tarde
sabes
a bonomia da tarde
quer-nos a ternura em final de dia
o nome entardecer
olha
o morno ponto
o sol redondo avermelhado
deitado vai-se esconder
sente
o corpo estirado
em banco aberto, acordado sono lento
momento antes de anoitecer
a bonomia da tarde
quer-nos a ternura em final de dia
o nome entardecer
olha
o morno ponto
o sol redondo avermelhado
deitado vai-se esconder
sente
o corpo estirado
em banco aberto, acordado sono lento
momento antes de anoitecer
a fantasia das palavras
todas as palavras têm sexo
depois do género.
todas as palavras fornicam
ininterruptamente
não suspendem a depravação
de serem o que são. enleiam-se
sem se acotovelarem
desmandam-se no verso
e gritam esparramadamente.
a fúria contínua entranha-se
tomando as palavras que se penetram
viciadas. oh deus!
que derrame, que desalinho
que desordem
se funde fecunda e gera.
depois do género.
todas as palavras fornicam
ininterruptamente
não suspendem a depravação
de serem o que são. enleiam-se
sem se acotovelarem
desmandam-se no verso
e gritam esparramadamente.
a fúria contínua entranha-se
tomando as palavras que se penetram
viciadas. oh deus!
que derrame, que desalinho
que desordem
se funde fecunda e gera.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
do verso
o verso é o todo uno
cume do viandar
sonho em frase despojada
e flutua, o verso
do poema nada sei
cume do viandar
sonho em frase despojada
e flutua, o verso
do poema nada sei
dos versos
recorta, pinta e cola
recola, porta e cinta
recinta, pola e corta
morde a língua, fala só
míngua a lorde, ró de si
empenho e travessura
ou travenho e empessura
o menino vai enchendo o caderno
digo, livro
do poema nada sei
recola, porta e cinta
recinta, pola e corta
morde a língua, fala só
míngua a lorde, ró de si
empenho e travessura
ou travenho e empessura
o menino vai enchendo o caderno
digo, livro
do poema nada sei
sábado, 4 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
amador
i
amo a dor de me doer
não amo, é o meu amor
ii
saberás
que amar não se sabe
é sabor
indescritível
amo a dor de me doer
não amo, é o meu amor
ii
saberás
que amar não se sabe
é sabor
indescritível
quarta-feira, 1 de abril de 2015
viajante
viajo
quando meu comboio descarrilar
terei estrada para correr
e quando esta acabar
serei do mundo, sem chão, para me perder
quando meu comboio descarrilar
terei estrada para correr
e quando esta acabar
serei do mundo, sem chão, para me perder
ditado
escrevi no pôr-do-sol que me caía no caderno. era meu
sem o ser e senti que poderia escrevê-lo, ou escrever-lhe,
em cima, para nele ficar gravado e ser dele
também.
iludi-me, pensando que seria autor da escrita,
quando era só o motor, a máquina do movimento. a mensagem vinha dele
e apanhando-a eu, tinha de a pôr, não sei a quê,
e fi-lo no caderno sem que pudesse dizer as ondas da areia,
as sombras do areal que o pôr-do-sol me descrevia.
não pude fazer o ditado
e foi neste estado de aluno menino que me mantive,
por isso dei-lhe toda a atenção que tinha,
tudo o que me restava.
sem o ser e senti que poderia escrevê-lo, ou escrever-lhe,
em cima, para nele ficar gravado e ser dele
também.
iludi-me, pensando que seria autor da escrita,
quando era só o motor, a máquina do movimento. a mensagem vinha dele
e apanhando-a eu, tinha de a pôr, não sei a quê,
e fi-lo no caderno sem que pudesse dizer as ondas da areia,
as sombras do areal que o pôr-do-sol me descrevia.
não pude fazer o ditado
e foi neste estado de aluno menino que me mantive,
por isso dei-lhe toda a atenção que tinha,
tudo o que me restava.
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