a horizonte reina acalmia
o sol acende o dia
sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
pós-humanidade
houve tempo, os homens eram de pau
aparência seca, acastanhada, aqui
e ali uma greta na madeira fendida
flutuavam na água e no vento
sentiam-se primos das árvores
com ligação pueril à fauna
no peito suspiravam pelo pulsar universal
uns existiam no tempo do sol e das intempéries
outros especializavam-se, espantar as aves, por exemplo
alguns tomavam a vontade superior como sua,
diariamente, usavam cordões
e se moviam pela habilidade de mãos do criador
todos, mas todos mesmo, temiam o fogo que arde e queima
curtiam na boca o sabor a lenha
e adormeciam ao som do crepitar do inferno
hoje, nos tempos de hoje, os homens são
...
aparência seca, acastanhada, aqui
e ali uma greta na madeira fendida
flutuavam na água e no vento
sentiam-se primos das árvores
com ligação pueril à fauna
no peito suspiravam pelo pulsar universal
uns existiam no tempo do sol e das intempéries
outros especializavam-se, espantar as aves, por exemplo
alguns tomavam a vontade superior como sua,
diariamente, usavam cordões
e se moviam pela habilidade de mãos do criador
todos, mas todos mesmo, temiam o fogo que arde e queima
curtiam na boca o sabor a lenha
e adormeciam ao som do crepitar do inferno
hoje, nos tempos de hoje, os homens são
...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
desesperança
não há lugar para jardins
não há espaço para flores
e os pássaros não têm onde voar
não há espaço para flores
e os pássaros não têm onde voar
tombam nadas da mão
pendem estéreis os sonhos
de nadas tão nada que são
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
encantamento
da flor
acerquei-me dela
como para...
sem verbo a pétala
mimosa
acerquei-me dela
como...
a cor delicada
macieza
o mimo
acerquei-me dela
só...
existindo
acerquei-me dela
como para...
sem verbo a pétala
mimosa
acerquei-me dela
como...
a cor delicada
macieza
o mimo
acerquei-me dela
só...
existindo
terça-feira, 15 de novembro de 2016
continuando
todos os tropeços
são almas que rosnam
não te inquietes
nunca te culpes
recorda, já passou, a tua mãe
afaga o beijo que te acariciou
são almas que rosnam
não te inquietes
nunca te culpes
recorda, já passou, a tua mãe
afaga o beijo que te acariciou
de súbito
o de anuncia a eminência
que o inesperado pode ter
pontua de previsível, talvez
explica-se o nem sempre da surpresa
sendo esta um asseio
se se procura resposta a piropos
que – de súbito – são-no
todavia, esperados
criam lugar ao espanto
até justificam a estranheza
que o inesperado pode ter
pontua de previsível, talvez
explica-se o nem sempre da surpresa
sendo esta um asseio
se se procura resposta a piropos
que – de súbito – são-no
todavia, esperados
criam lugar ao espanto
até justificam a estranheza
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
azul de azuis
encanta-me o azul das folhas
tingidas desta estação
um azul de árvore fosse
de azuis que o não são
têm um fundo de céu
juntam um toque de chão
uma pinta verde cor de verão
se os verões fossem verdes
de azuis que o não são
mas o azul das folhas é
luz que morde a atenção
luz que morde a atenção
límpida como o ar
tem a frescura do mar
tão livre como o pairar
cadenciando ao pulsar azul
do coração em azul peito
se os peitos fossem
azuis que o não são
terça-feira, 11 de outubro de 2016
existenciar
o passado é de matéria inconstante.
o futuro sustenta-se na ideia de eternidade.
o presente urde-se mutante e eterno; é
uma impossibilidade: em sentido concreto
confirma a existência como milagre.
o futuro sustenta-se na ideia de eternidade.
o presente urde-se mutante e eterno; é
uma impossibilidade: em sentido concreto
confirma a existência como milagre.
preguiçar
encosto o olhar ao
pensamento em fim-de-tarde, por aí ficar,
largueza fora, planura
saboreando o ar
o ideal sem sonhar
pairar ameno, leveza em sentimento
instante pleno, ápice
corpo a assoalhar
piscos, os olhos teimam
fechar e tudo verem, ainda tocar
o reluzente acontecendo
crepitar do entardecer
pensamento em fim-de-tarde, por aí ficar,
largueza fora, planura
saboreando o ar
o ideal sem sonhar
pairar ameno, leveza em sentimento
instante pleno, ápice
corpo a assoalhar
piscos, os olhos teimam
fechar e tudo verem, ainda tocar
o reluzente acontecendo
crepitar do entardecer
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Coimbra
um certo ar de ser
Coimbra
corre-te nas artérias
um fundo encapelado
rimando com resignado
Coimbra
uma rima improvável
um quase sem sentido
como em ti, Coimbra
o o e o i recusam o ditongo
enleiam-se na consoante
e formam sílaba, a sua.
então unem-se na palavra
acentuando-se
Coimbra
corre-te nas artérias
um fundo encapelado
rimando com resignado
Coimbra
uma rima improvável
um quase sem sentido
como em ti, Coimbra
o o e o i recusam o ditongo
enleiam-se na consoante
e formam sílaba, a sua.
então unem-se na palavra
acentuando-se
Coimbra
de vontades várias
Coimbra
de sonância assíncrona
de vontades várias
Coimbra
de sonância assíncrona
sábado, 20 de agosto de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
a cor desacanha o dia
é de azuis e amarelos
de verdes e vermelhos
em tom de ser alumia
é uma cor que grita, canta
e ri
é uma cor que pula, voa e
anda
é cor a porta, janela e
autocarro
em tom de rua ensolarada
de manhã pequena desocupada
a passo gerúndio corado
é domingo ou será sábado
podendo ser até feriado
podendo ser até feriado
quinta-feira, 28 de julho de 2016
i.
as flores se aprimoram por gerações
para seduzirem, o que fazem com mestria:
são belas, ainda que se desconheça o propósito:
algumas para se alimentarem,
outras pelo nobre desígnio da reprodução
ii.
há um vento que concorda comigo
falo e ouve-me
ouço-o, responde-me rumor de folhas
e refresca-me
a cadeira em que repouso bamboleia
suave, pendulando concordância
as flores se aprimoram por gerações
para seduzirem, o que fazem com mestria:
são belas, ainda que se desconheça o propósito:
algumas para se alimentarem,
outras pelo nobre desígnio da reprodução
ii.
há um vento que concorda comigo
falo e ouve-me
ouço-o, responde-me rumor de folhas
e refresca-me
a cadeira em que repouso bamboleia
suave, pendulando concordância
quarta-feira, 27 de julho de 2016
o rei dos peixes
eu pequeno
à lareira, meu avô dizia histórias fantásticas,
chamava-as de contos.
adorávamos o do rei dos peixes,
sabíamo-lo de cor: magnífico.
meu avô enchia-nos do melhor que imaginávamos,
era o rei, tal a força da sua generosidade,
eu era peixe para ter um rei assim
à lareira, meu avô dizia histórias fantásticas,
chamava-as de contos.
adorávamos o do rei dos peixes,
sabíamo-lo de cor: magnífico.
meu avô enchia-nos do melhor que imaginávamos,
era o rei, tal a força da sua generosidade,
eu era peixe para ter um rei assim
quarta-feira, 20 de julho de 2016
ares da beira-mar
o marulho deste mar tem
ondas pequenas, chegam e
enrolam-se nas pedras às risadinhas
vejo as pedras hilariarem-se pelo contorno
das ondas e pelos banhos de salpicos
foliam duas formas da mesma realidade
ao largo, as ondas são mais
vigorosas: enormes roncadoras como
fossem soltas de longa clausura
ou
empurradas por força maior
que desconhecem
provirão da agitação dos peixes
pujantes no bater de barbatanas e
nos jorros de água que expelem de guelras arejadas
ou
ainda, serão coisa de sereia:
sabe-se que instigam o mar
que ondula a voz de água e sal
em melopeia de encanto, se matiza
a aragem, cantando
a realidade tem uma presença de vento
toma todas as formas, até as mais invisíveis
ondas pequenas, chegam e
enrolam-se nas pedras às risadinhas
vejo as pedras hilariarem-se pelo contorno
das ondas e pelos banhos de salpicos
foliam duas formas da mesma realidade
ao largo, as ondas são mais
vigorosas: enormes roncadoras como
fossem soltas de longa clausura
ou
empurradas por força maior
que desconhecem
provirão da agitação dos peixes
pujantes no bater de barbatanas e
nos jorros de água que expelem de guelras arejadas
ou
ainda, serão coisa de sereia:
sabe-se que instigam o mar
que ondula a voz de água e sal
em melopeia de encanto, se matiza
a aragem, cantando
a realidade tem uma presença de vento
toma todas as formas, até as mais invisíveis
sexta-feira, 15 de julho de 2016
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