novo ciclo. a vida está a chegar. as amendoeiras estão cheias de flor. os pessegueiros seguem-lhe as pisadas bem de perto. as outras árvores preparam os rebentos. nas rasteiras, os malmequeres florescem uns de amarelo, outros de lilás. são lindos. a alfazema não tem flor mas já ganhou um ar novo, limpo. até as daninhas se preparam para integrar este jardim, alindando-se e pavoneando-se em exuberância escondendo-nos que mais tarde irão definir e ditar o seu espaço.
o sol brilha e o ar fresco torna o ambiente morno. a sombra não faz falta.
os pássaros cantam ao longe, mesmo assim bem mais perto que as betoneiras ou tractores que ouço distantes. bucólico, não sei lá muito bem o que isso é, mas é bonito. até o som do aspirador da mulher a dias e o som de torcer da máquina de lavar ficam bem neste quadro. falta referi-me ao ladrar parco dos cães e ao som da lixadeira desgastando o metal que vem lá do cimo do monte.
o relógio canta a 5 horas.
os putos do jardim de infância não cantam mas fazem um coro melodicamente afinado e que, eventualmente, por uma razão genética, sejam em que lugar do mundo estiverem e sejam quais forem os elementos constituintes, soa sempre mesma melodia.
sossego é isto mesmo, bem diferente da ausência de ruído. sossego é a possibilidade de identificarmos os diferentes sons colocados harmoniosamente no espaço como um pulsar da vida no sentido mais biológico e ecológico dos termos.
amo este fim de tarde revigorante. distinto e diferente das porcarias em que me envolvi até à pouco. devem ter tido um efeito catártico porque agora estou no céu.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
... sereno, sê sereno...
Nos momentos de crise, as pessoas revelam-se surpreendentemente desagradáveis. Mostram o seu lado nefasto: egoísta, egocêntrico e caprichoso. Lê-se no olhar um carinhoso "cuida de mim" e um amargo de inveja "estou doente", ou será o contrário, o acre pânico "vou morrer?" O fel da morte.
Nós perdemos a admiração pela pessoa e não nos importamos que morra. Melhor, sabemos que morrendo agora teremos admiração pela sua vida. Daqui a pouco esgotaremos a réstia de consideração que merece. Mais adiante não aguentaremos mais; o que significa "morre depressa".
Meu sogro pena-me. Sinto-lhe o fim que não desejo, mas sei que caminha para a morte. Escolheu, é este o termo correcto, escolheu a demência para enfrentar o momento. Ignorar a morte, centrar-se na dor e escravizar a atenção de todos é a estratégia que vive. Escolheu a demência como opção de vida.
Escravizou a mulher como o mesmo direito autoridade de um senhor feudal. Tornando-se-lhe filho controla-lhe a vontade. O inverso disto tudo também é verdadeiro e embora eu não o saiba descrever, mas acontece.
Eu acho, melhor, sinto que devo fazer alguma coisa. De algum modo acredito que estar consciente lhe prolongará a qualidade de viver, mas não sei como fazer e quando tento magoo. A impotência para ajudar é um sentimento devastador.
Há momentos em que ajudamos pela serenidade; no meio do pânico um olhar e um respirar sereno é o melhor apoio que se pode obter. Acalma, relaxa, serena....
Espero que isto seja verdade.
(iniciado no final de Janeiro e concluído em 22.02.2011)
Nós perdemos a admiração pela pessoa e não nos importamos que morra. Melhor, sabemos que morrendo agora teremos admiração pela sua vida. Daqui a pouco esgotaremos a réstia de consideração que merece. Mais adiante não aguentaremos mais; o que significa "morre depressa".
Meu sogro pena-me. Sinto-lhe o fim que não desejo, mas sei que caminha para a morte. Escolheu, é este o termo correcto, escolheu a demência para enfrentar o momento. Ignorar a morte, centrar-se na dor e escravizar a atenção de todos é a estratégia que vive. Escolheu a demência como opção de vida.
Escravizou a mulher como o mesmo direito autoridade de um senhor feudal. Tornando-se-lhe filho controla-lhe a vontade. O inverso disto tudo também é verdadeiro e embora eu não o saiba descrever, mas acontece.
Eu acho, melhor, sinto que devo fazer alguma coisa. De algum modo acredito que estar consciente lhe prolongará a qualidade de viver, mas não sei como fazer e quando tento magoo. A impotência para ajudar é um sentimento devastador.
Há momentos em que ajudamos pela serenidade; no meio do pânico um olhar e um respirar sereno é o melhor apoio que se pode obter. Acalma, relaxa, serena....
Espero que isto seja verdade.
(iniciado no final de Janeiro e concluído em 22.02.2011)
Olá.
Hoje vou morrer. É simples. É mais ou menos como desligar um electrodoméstico qualquer, só que mais fácil. Não preciso carregar em nenhum botão. Morre-se e pronto. Está-se morto. E agora, perguntamos? E agora nada - é a resposta. Está-se morto e pronto: não há nada a perguntar, não há nada a fazer, não há nada com que preocupar é um sossego indescritível, não há palavras para o descrever. Deve ser por isso que lhe chamam sossego de morte.
Podemos deslocar-nos, pairando, vislumbrando outras existências sem pressa, sem sentimentos, sem intenção com os e fossemos um folha sustentada na brisa do vento que passa.
É uma inexistência transportada pelo acaso, sem sentidos e sem sentido e se o tiver não o descortino.
Estou morto e já tinha morrido algumas vezes, embora não desse conta.
Não há homem da gadanha para nos importunar com a sua negrura, nem a ordem silenciosa para o seguirmos. Gostaria de ver esse personagem porque sempre tive muita curiosidade por lhe olhar cara a cara e saber se aquela sombra escura alberga um rosto enrugado e carcomido, uma caveira ou a ausência.
Acho que o autor da garatuja não sabia o que desenhar e pimba, pintou-o de preto, negro de desconhecido, de morte e de medo. Teve engenho ou sorte porque assustou gerações de vivos e aguçou a curiosidade de mortos. Quanto aos mortos, não se pode falar de gerações porque não se reproduzem, só inexistem.
Encontro vários que estão mortos sem que o saibam. Morreram aos poucos e não deram conta. Foi o que me aconteceu a mim. Distinguem-se pelo olhar, pelo pensamento e pela fome de vida que desconhecem. Vivem no limbo das recordações e não passam de almas errantes levadas pela brisa para lugares de nada e coisa nenhuma que não existem. A rotina é a réstia de vida que lhes chega das recordações. Vegetam. Não sabem mas estão mortos.
A morte é alívio, é paz e pode ser tão sedutora que até assusta. Leva-nos a um ponto de não retorno e apaixonamo-nos. Quem diria que nos podíamos apaixonar pela morte? Leva-me contigo, transporta-me no teu colo. Estou pronto! Olá.
Podemos deslocar-nos, pairando, vislumbrando outras existências sem pressa, sem sentimentos, sem intenção com os e fossemos um folha sustentada na brisa do vento que passa.
É uma inexistência transportada pelo acaso, sem sentidos e sem sentido e se o tiver não o descortino.
Estou morto e já tinha morrido algumas vezes, embora não desse conta.
Não há homem da gadanha para nos importunar com a sua negrura, nem a ordem silenciosa para o seguirmos. Gostaria de ver esse personagem porque sempre tive muita curiosidade por lhe olhar cara a cara e saber se aquela sombra escura alberga um rosto enrugado e carcomido, uma caveira ou a ausência.
Acho que o autor da garatuja não sabia o que desenhar e pimba, pintou-o de preto, negro de desconhecido, de morte e de medo. Teve engenho ou sorte porque assustou gerações de vivos e aguçou a curiosidade de mortos. Quanto aos mortos, não se pode falar de gerações porque não se reproduzem, só inexistem.
Encontro vários que estão mortos sem que o saibam. Morreram aos poucos e não deram conta. Foi o que me aconteceu a mim. Distinguem-se pelo olhar, pelo pensamento e pela fome de vida que desconhecem. Vivem no limbo das recordações e não passam de almas errantes levadas pela brisa para lugares de nada e coisa nenhuma que não existem. A rotina é a réstia de vida que lhes chega das recordações. Vegetam. Não sabem mas estão mortos.
A morte é alívio, é paz e pode ser tão sedutora que até assusta. Leva-nos a um ponto de não retorno e apaixonamo-nos. Quem diria que nos podíamos apaixonar pela morte? Leva-me contigo, transporta-me no teu colo. Estou pronto! Olá.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Há dias...
Há dias que entristecem por mais que linda que seja sua luz, por mais belo que seja o canto dos passarinhos, por mais admirável que seja o sorriso das flores e por mais aconchegante que seja o morno ameno dos raios de sol.
Há dias que custam tanto a passar. Arrastam-se em nós de um modo entediante, enjoativo até, e ostensivamente meneiam-se só para nos mostrar que têm o direito a existir com o mesmo espírito e expressão de insinuante desafio de uma perrice de criança.
Há dias frouxos, sem história e sem nada para contar. Apresentam-se como emplastro atormentando-nos com o seu direito à presença.
Há dias que não deviam existir. Hoje é um desses dias.
Gostaria de saber construir dias, dar-lhe cor, som e voz. Gostaria imenso de me enamorar deles, cortejá-los, ser cúmplice do seu acontecer, acarinhá-los e senti-los na sua essência de intimidade que nos faz supor vivos e agradecidos por mais um dia.
Lembro-me disso, de ter essa arte, como algo distante e longínquo que já nem merece ser lembrado. Já foi! Perdi qualquer coisa e não sei bem o quê mas faz-me falta.
... perdi a vida ...
Há dias que custam tanto a passar. Arrastam-se em nós de um modo entediante, enjoativo até, e ostensivamente meneiam-se só para nos mostrar que têm o direito a existir com o mesmo espírito e expressão de insinuante desafio de uma perrice de criança.
Há dias frouxos, sem história e sem nada para contar. Apresentam-se como emplastro atormentando-nos com o seu direito à presença.
Há dias que não deviam existir. Hoje é um desses dias.
Gostaria de saber construir dias, dar-lhe cor, som e voz. Gostaria imenso de me enamorar deles, cortejá-los, ser cúmplice do seu acontecer, acarinhá-los e senti-los na sua essência de intimidade que nos faz supor vivos e agradecidos por mais um dia.
Lembro-me disso, de ter essa arte, como algo distante e longínquo que já nem merece ser lembrado. Já foi! Perdi qualquer coisa e não sei bem o quê mas faz-me falta.
... perdi a vida ...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Cansa-me...
Cansa-me morrer devagarinho. Dói-me o que passou, magoa-me o que há-de vir e mata-me o que sinto agora. Define-se a agonia.
É um nó que não se desata, cegamente apertado em si próprio, tão apertado que fica num minúsculo grão, caso a vida, ainda que metaforicamente, fosse um fio.
Já não me lembro de estar bem, sorrir para a vida de braços abertos, convidando-a a chegar-se e aconchegar-se e mostrar-lhe o meu desejo de conviver com ela.
Já não a quero ver porque vem de negro, cheirar porque tem odor a morte, degustar porque sabe a fénico. "Vai-te embora, não te aproximes", grito íntimo comigo mesmo, deixa-me em paz e que um raio me parta bem depressa.
É um nó que não se desata, cegamente apertado em si próprio, tão apertado que fica num minúsculo grão, caso a vida, ainda que metaforicamente, fosse um fio.
Já não me lembro de estar bem, sorrir para a vida de braços abertos, convidando-a a chegar-se e aconchegar-se e mostrar-lhe o meu desejo de conviver com ela.
Já não a quero ver porque vem de negro, cheirar porque tem odor a morte, degustar porque sabe a fénico. "Vai-te embora, não te aproximes", grito íntimo comigo mesmo, deixa-me em paz e que um raio me parta bem depressa.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Um momento...
A morte gosta de sentar-se na margem da vida, apreciando-a enquanto passa, como se fosse um rio. Mantém, a morte, a vida, mirando as manifestações que esta lhe proporciona. Que vê a morte no rio, de tão singular que justifique essa admiração e esse arrebatamento pela vida? Ninguém sabe, nem ela. Não costuma pensar nisso. Tudo indica que o movimento só por si atrai a atenção, tal como a corrente de um rio. Se corre calmo, relaxa. Se jorra em torrente, tem força e pode assustar. Mas o som do rio, esse é que arrebata, tem água, tem ar e tem o som da vida orgânica. É isto que fascina a morte. Quando a vida não corre a morte enfastia-se e vai-se embora deixando-a para trás.
A vida, sem sentido, extingue-se a si mesma abandonada pela morte.
Pode morrer-se todos os dias com a morte bem longe e de costas voltadas.
A vida, sem sentido, extingue-se a si mesma abandonada pela morte.
Pode morrer-se todos os dias com a morte bem longe e de costas voltadas.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Vida minha
Vida minha, já não quero agarrar-te... quero viver-te com a fluência (des)regulada com que aconteces.
Vida minha, já não te peço nada porque me angustias na espera de ver passar o desejo e me obrigas a alterar as preferências.
Vida minha, já não te exijo mais nada porque me cobras nas consequências que plantas como estacas no meu caminho.
Vida minha, já não quero agarrar-te porque me abanas e sacodes, arrastando-me para destinos que só tu conheces e nem sempre me desvendas.
Vida minha, já não quero sonhar-te porque me adormeces para ti.
Vida minha, também já não quero amar-te porque vandalizarás o meu amor só para me mostrares que és única e sem amarras,
Vida minha, já não te possuo porque não intimas comigo os teus segredos e sentimentos mais profundos.
Vida minha, vive-te a ti mesmo, passeia-te pela minha existência e seremos cordiais quando nos encontrarmos.
Vida minha, quero-te bem.
Vida minha, já não te peço nada porque me angustias na espera de ver passar o desejo e me obrigas a alterar as preferências.
Vida minha, já não te exijo mais nada porque me cobras nas consequências que plantas como estacas no meu caminho.
Vida minha, já não quero agarrar-te porque me abanas e sacodes, arrastando-me para destinos que só tu conheces e nem sempre me desvendas.
Vida minha, já não quero sonhar-te porque me adormeces para ti.
Vida minha, também já não quero amar-te porque vandalizarás o meu amor só para me mostrares que és única e sem amarras,
Vida minha, já não te possuo porque não intimas comigo os teus segredos e sentimentos mais profundos.
Vida minha, vive-te a ti mesmo, passeia-te pela minha existência e seremos cordiais quando nos encontrarmos.
Vida minha, quero-te bem.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Vou andando por aí
Vou andando, por aí,
de mão dada comigo mesmo.
Sinto o desconforto do meu toque,
incomoda-me o olhar dos outros.
Também não sou grande conversador.
A conversa segue o meu caminho,
círculos, em percursos pré definidos.
Assim não se conversa,
reza-se, monotonamente,
uma rosário interminável.
Deus, esse, ouve-nos.
Acho que gosta de uma boa conversa
ritmada pelo rosário,
metrónomo das orações e dos pedidos.
Pode-se conversar-se,
sem pensar
ou pensar noutra coisa.
Continuo a não gostar
de conversar comigo.
A minha mão na minha
incomoda-me cada vez mais.
"Já experimentaste rezar?
e dar a mão a Deus?"
Vou andando por aí...
de mão dada comigo mesmo.
Sinto o desconforto do meu toque,
incomoda-me o olhar dos outros.
Também não sou grande conversador.
A conversa segue o meu caminho,
círculos, em percursos pré definidos.
Assim não se conversa,
reza-se, monotonamente,
uma rosário interminável.
Deus, esse, ouve-nos.
Acho que gosta de uma boa conversa
ritmada pelo rosário,
metrónomo das orações e dos pedidos.
Pode-se conversar-se,
sem pensar
ou pensar noutra coisa.
Continuo a não gostar
de conversar comigo.
A minha mão na minha
incomoda-me cada vez mais.
"Já experimentaste rezar?
e dar a mão a Deus?"
Vou andando por aí...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
FUGIU-ME O DESEJO
Descobri que já não consigo desejar. Houve tempos que, na mudança de ano, me recusava a desejar fosse o que fosse; queria ser diferente, eram "pimpineiras" em que não acreditava e porque foram vários os desejas não concretizados.
Este ano foi diferente, mesmo diferente. Não consegui desejar porque dava muito trabalho, não sabia o quê e não interessava... . "Não interessava..." é aquilo a que não estou habituado, é uma atitude de vida que desconheço e que, talvez por isso, me assusta.
Fugiu-me a paixão pela vida: amava-a ou odeiava-a, não interessa; mas lutava para a manter igual ou para a mudar. Ser exigente e intransigente e quase sempre exagerado nas convicções fazia parte da minha forma de estar.
Agora não. Não quero ir para lado nenhum e não quero estar aqui, não me perguntem nada, não me peçam nada que não quero fazer nada e não gosto de não fazer nada. É assim que existo..., uma existência errante e aleatória que me seca devagarinho mas como uma eficácia despudoradamente desinteressante.
Minha alma secou e o desejo pela vida abandonou-me. Morri. Acho que é assim que se morre.
QUE MAL ME SINTO COM ESTA CONCLUSÃO
Já não interessa .............
Este ano foi diferente, mesmo diferente. Não consegui desejar porque dava muito trabalho, não sabia o quê e não interessava... . "Não interessava..." é aquilo a que não estou habituado, é uma atitude de vida que desconheço e que, talvez por isso, me assusta.
Fugiu-me a paixão pela vida: amava-a ou odeiava-a, não interessa; mas lutava para a manter igual ou para a mudar. Ser exigente e intransigente e quase sempre exagerado nas convicções fazia parte da minha forma de estar.
Agora não. Não quero ir para lado nenhum e não quero estar aqui, não me perguntem nada, não me peçam nada que não quero fazer nada e não gosto de não fazer nada. É assim que existo..., uma existência errante e aleatória que me seca devagarinho mas como uma eficácia despudoradamente desinteressante.
Minha alma secou e o desejo pela vida abandonou-me. Morri. Acho que é assim que se morre.
QUE MAL ME SINTO COM ESTA CONCLUSÃO
Já não interessa .............
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Ontem saí daqui
Ontem saí daqui. Foi uma lufada de ar fresco. Resultou num arejamento de ânimo. Se continuar assim vou até ao fim do mundo e torno a vir numa abrir e fechar de olhos. Agora vejo como esta mesa de trabalho me abolorece e definha. Preciso de gente, de falar de discutir coisas novas, totalmente fora da mesmice e longe da rotina. Estou farto do cheiro a gabinete e à burocracia fedorenta. Estou farto.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Tu, minha alegria
Alegria minha, procuro-te...
estás no cruzamento do teu olhar com o meu
que bom, sorrio morno...
já posso ir trabalhar
ou brincar
porque estou aos pulos
como uma criança.
estás no cruzamento do teu olhar com o meu
que bom, sorrio morno...
já posso ir trabalhar
ou brincar
porque estou aos pulos
como uma criança.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
A MORTE
A morte tem-me tocado. Aparece difusa e sombriamente assinala a sua presença. Só para que eu não me esqueça. Terror, sinto eu, pensando que devo preparar-me para ela... nas várias facetas que pode tomar.
Um dia vai levar-me alguém ... . Ficará a vaga recordação de um retalho da minha vida.
Pode anunciar-se a um amigo. Imagino transplantes como contributo meu para manter a minha vida linda sorridente, acarinhada pelo olhar e pelo sorriso de cada um deles.
Pode levar-me alguém de quem sempre planeei não perder, pela lógica da ordem natural - biológica. Entro em pânico e só consigo imaginar um sistema de troca. Acabo por ser sempre eu a morrer. Ver um filho morto é a pior forma de morrer; penso, sinto e dói-me...
Pode chegar à minha metade; direita, pela indispensabilidade. A outra metade não vai saber sobreviver, será o caos... ou o vazio, não consigo decidir... nem vale a pena porque o desânimo já cá está.
Concluo, sentindo que o toque da morte no ombro - é assim que o vejo - pode ser o melhor dos cenários, embora me veja no "além" apreciando o dia-a-dia de cada um. O que me chateia mesmo é não poder comunicar com eles. Se o fizesse estaria a assombrar-lhes a vida.
Um dia vai levar-me alguém ... . Ficará a vaga recordação de um retalho da minha vida.
Pode anunciar-se a um amigo. Imagino transplantes como contributo meu para manter a minha vida linda sorridente, acarinhada pelo olhar e pelo sorriso de cada um deles.
Pode levar-me alguém de quem sempre planeei não perder, pela lógica da ordem natural - biológica. Entro em pânico e só consigo imaginar um sistema de troca. Acabo por ser sempre eu a morrer. Ver um filho morto é a pior forma de morrer; penso, sinto e dói-me...
Pode chegar à minha metade; direita, pela indispensabilidade. A outra metade não vai saber sobreviver, será o caos... ou o vazio, não consigo decidir... nem vale a pena porque o desânimo já cá está.
Concluo, sentindo que o toque da morte no ombro - é assim que o vejo - pode ser o melhor dos cenários, embora me veja no "além" apreciando o dia-a-dia de cada um. O que me chateia mesmo é não poder comunicar com eles. Se o fizesse estaria a assombrar-lhes a vida.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
AMOTE
Sinto-me arrebatado de amores e tu estás aí. Isso é bom. Aí, não sei muito bem onde, mas estás e isso é bom.
Posso mandar-te um sms, uma teclada de msngr ou até um pensamento com um grito AMOTE e isso é bom: acalma e aquece, enternece e fica o desejo de um mimo, miminho, um aconchego assim juntinho. Tão juntinho que o AMOTE perde o hífen que aparece ali só para afastar o autor do seu sentimento. E eu quero tudo juntinho, assim como tu sabes.
Continuo sem caber em mim, extravasa-me este sentimento, jorra como uma enchente. Se aparecesses cá abraçar-te-ia até perder o fôlego, pularia até perder a euforia e terminaria aconchegando-te, aconchegando-me, tocando o teu hálito em cada mimo, criando um intimo nosso, muito nosso, intimamente nosso... sem hífen.
Não estás aqui... aí vai um sms, AMOTE. É bom.
Posso mandar-te um sms, uma teclada de msngr ou até um pensamento com um grito AMOTE e isso é bom: acalma e aquece, enternece e fica o desejo de um mimo, miminho, um aconchego assim juntinho. Tão juntinho que o AMOTE perde o hífen que aparece ali só para afastar o autor do seu sentimento. E eu quero tudo juntinho, assim como tu sabes.
Continuo sem caber em mim, extravasa-me este sentimento, jorra como uma enchente. Se aparecesses cá abraçar-te-ia até perder o fôlego, pularia até perder a euforia e terminaria aconchegando-te, aconchegando-me, tocando o teu hálito em cada mimo, criando um intimo nosso, muito nosso, intimamente nosso... sem hífen.
Não estás aqui... aí vai um sms, AMOTE. É bom.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Meu amigo está doente...
É isso está doente... e colocam-se as reticências para intuir todo o resto que poderá ser a tempestade/furacão que o consome em cada momento. Eu falhei no meu papel de agente catártico: ouvindo a abanando afirmativamente com a cabeça, permitindo que o coração expurga as raivas e a mente solte as más ideias através de frases com as quais jamais se concordará... mas disse-se e... tudo fica bem...
Eu não permiti as reticencias ao meu amigo e ele ficou só... ruminando e ruminando... não olha à volta e não vê que lhe falta a disponibilidade para ver.
Eu não permiti as reticencias ao meu amigo e ele ficou só... ruminando e ruminando... não olha à volta e não vê que lhe falta a disponibilidade para ver.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Porque te escrevo?
Porque te escrevo?
Estou em pânico, sabes? Desconheço o sentido da minha vida... e o que descortino não entendo nem consigo lá chegar. Agarro-me aqui e ali, esforço desmesurado de um náufrago que teima em sobreviver. Está em pânico. Estou em pânico. É isso!
Assim se faz uma vida... agarro-me aqui e ali e é esse o meu destino. É para lá que vou, com o incerto e acidental ramo a que me agarrei. Chego ao fim da semana feliz por esta ter passado, fardo pesado de uma existência indesejada e odiada até.
Marasmo de vida. Tocas-me fundo e impedes-me de viver. Amordaças-me o pensamento, abafas-me a voz, manietas-me os movimentos e sufocas-me a respiração. Matas-me um pouco em cada dia. Eu sobrevivo, em pânico, mas sobrevivo.
Antevejo o meu futuro e canso-me. Já sinto nos ossos o cansaço que há-de vir, mas sorrio e tento agradar à vida. Sorrio. Vejo em cada amigo um aconchego, bom, mas não abuso. Aprecio os seus olhares e os seus sorrisos. A sua presença aquece-me e faz-me bem. Já não me lembro da semana que passou.
A minha família acha-me louco - transtornado - dizem.
Só, é o meu nome do meio. Pânico, o meu estado.
Estou em pânico, sabes? Desconheço o sentido da minha vida... e o que descortino não entendo nem consigo lá chegar. Agarro-me aqui e ali, esforço desmesurado de um náufrago que teima em sobreviver. Está em pânico. Estou em pânico. É isso!
Assim se faz uma vida... agarro-me aqui e ali e é esse o meu destino. É para lá que vou, com o incerto e acidental ramo a que me agarrei. Chego ao fim da semana feliz por esta ter passado, fardo pesado de uma existência indesejada e odiada até.
Marasmo de vida. Tocas-me fundo e impedes-me de viver. Amordaças-me o pensamento, abafas-me a voz, manietas-me os movimentos e sufocas-me a respiração. Matas-me um pouco em cada dia. Eu sobrevivo, em pânico, mas sobrevivo.
Antevejo o meu futuro e canso-me. Já sinto nos ossos o cansaço que há-de vir, mas sorrio e tento agradar à vida. Sorrio. Vejo em cada amigo um aconchego, bom, mas não abuso. Aprecio os seus olhares e os seus sorrisos. A sua presença aquece-me e faz-me bem. Já não me lembro da semana que passou.
A minha família acha-me louco - transtornado - dizem.
Só, é o meu nome do meio. Pânico, o meu estado.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
É hoje...
É hoje que inicio o MUI.
Já não me lembrava de sentir o 1º dia de aulas.
Saudades.
Mas o desconforto mantém-se.
Há coisas que por mais que se repitam...
têm sempre o mesmo sabor.
Quem são os colegas,
como são os professores,
será que vou conseguir?
Agora vai ser tudo diferente
e a dorzita de barriga já chegou.
Novidade: agora olho para o programa e sou crítico...
este não é grande coisa.
(escrito em 11.11.2010)
Já não me lembrava de sentir o 1º dia de aulas.
Saudades.
Mas o desconforto mantém-se.
Há coisas que por mais que se repitam...
têm sempre o mesmo sabor.
Quem são os colegas,
como são os professores,
será que vou conseguir?
Agora vai ser tudo diferente
e a dorzita de barriga já chegou.
Novidade: agora olho para o programa e sou crítico...
este não é grande coisa.
(escrito em 11.11.2010)
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