Mostrar mensagens com a etiqueta escritos à janela. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta escritos à janela. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

o caminhar
tropeça
nas imprecisões do tempo;
umas pedras soltas
que envelhecem
um pouco cada dia

quarta-feira, 12 de março de 2014

chamamento

bate-me a chuva
à janela, namora-me
trespasso a vidraça
pulo com ela gota a gota
escorremos bravios
galgamos o destino
cavalgamos o sonho
que de nós nasceu

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

até ao avesso

desconforto-me sentado, procuro entender o que desentendo, escrevendo ou descrevendo o que me sopra: o pensamento. vejo-o, melhor, sinto-o como uma brisa que passa, toca sem mexer, o suficiente para entender e sossegar-me. agora apreende que o desconforto é um estado e, por o ser, se manterá neste modo consolidado de ser. 

percorro-me por interiores de corpo e de alma até aos avessos, esperando que só assim me desnude sem pudores. vejo a minha nudez, e por ela a minha invisibilidade que me revela menos material do que outrora supusera, quando ainda tinha o pensamento comigo. a verdade que desvendo, porque a verdade se desvenda com uma gradação  imensurável, é que um homem de avessos, nada esconde, exibe-se em toda a transparência e torna-se invisível como vidro de uma janela. o pensamento, sendo brisa, sopra leve colorido de um lado e de outro dessa mesma janela.

continuo sentadamente desconfortado: mas agora tenho uma ideia mosca cujo voo posso seguir em toda a sua geometria. darei formas ao tempo e relevo ao pensamento.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

trajetos e estados

de cada vez que me sento à mesa
vejo um lugar onde posso escrever;
procuro um ponto, olho pela minha janela;
um ponto na minha janela para onde viajo
umas vezes só, outras levo comigo o desejo de fantasiar.
porto-me, então, como uma criança entusiasmada com a brincadeira
da qual tanto gosta, que precisa de a contar à avó:
e intermitentemente brinca e vem explicar o quanto se divertiu.
são assim as minhas idas e voltas
entre o ponto da minha janela e a folha de papel em que escrevo;
e palpitam-me os olhos e faísca meu peito.
o entusiasmo descreve-se a si mesmo pela impossibilidade de parar.
nestas alturas não respiro: inspiro e expiro
porque a fantasia e a escrita são destes estados.