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sexta-feira, 5 de junho de 2015

meu amor
não vejo senão a água dos nossos sonhos
corrente de alegria de rio
desmandada  sobre a terra
e nela cava o leito de seu ser

meu amor
não quero senão o mistério dos olhos
os teus que se quiseram meus
neles me alongo para ser maior
o bastante para abarcar o teu olhar

meu amor
não vivo senão o vício de ser amante
esse borbulhar de promessas
fios com que urdimos nosso olhar
a luz maior que nem o sol a alcança

domingo, 3 de maio de 2015

mãe

doce é a mãe
e o beijo dela
a pele do rosto seu
e o toque no meu
também o colo
regalo do aconchego
e o embalo onde adormeço
guardo-o, eu

doce é mãe
a ternura que me surge
deu-ma ela

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

pudesse eu ser feliz
mo autorizasse, eu
erguer-se-me-iam os lábios
aos cantos, de dentro para fora
o espelho ver-me-ia palhaço
ou máscara sem vocação
aprendi a entristecer-me
a desconsolar-me
sempre encontro algo que me falta
evito o pânico da felicidade

terça-feira, 8 de julho de 2014

ama-me
faz de mim o momento
do teu adormecer

ao sonhares
ver-me-ás aquele
que pintou um sorriso
em teu sono

ainda eu
te beijava o rosto
e já dormias

quinta-feira, 3 de abril de 2014

minhas mãos

apetecem a minhas mãos
lugares
onde pousam meus olhos

desejam minhas mãos
labaredas
de incandescer teu corpo

querem minhas mãos
embrenhar-se
pelos dedos em tua pele

ardem minhas mãos
por agarrar-te
até à fusão dos corpos

quererão minhas mãos
contornar-te
com a suavidade de um raio de sol

quinta-feira, 13 de março de 2014

da alma

se quiseres deitar-me-ei
em ti
bem no meio de ti
entre o teu ser e o teu olhar
aroma a seio

se pudesse deitar-me-ia
lado-a-lado à tua alma
as almas nunca se deitam
elevam-se
aí mesmo descansam
convivem e crescem
elevadas
e este corpo que quer deitar-se
menos pelo cansaço
quer intimidade aconchego
até à alma
que nunca vi
que respeito como o melhor de mim
com aroma a seio, teu


terça-feira, 3 de setembro de 2013

quadra

vagueiam as letras em teu nome
como no céu as estrelas
compõem palavras nós
amor, entrego-me a lê-las

sábado, 6 de julho de 2013

revelação

há dias que desejo tanto não sentir poeta
não me apaixonar
por ninguém, por nada 
além de ti e além do que é teu
e não consigo...
é como uma infidelidade que não compreendo
amar além de ti
retirar-te do centro...
porque não há centros no amor
neste amor há paixões
e todas me queimam o peito
ardente
a tua ilumina-me
uma chama em mim
recortando a escuridão

quarta-feira, 5 de junho de 2013

meu amor

tentei amar-te até ao fim do mundo
mas o mundo era pequeno

tentei amar-te até à lua
e sobrava tanto amor

tentei amar-te até ao sol e às estrelas
e o meu amor não cabia

tentei amar-te até ao universo
mas o espaço não chegava

então meti meu amor num olhar
e olho-te para to dar
aconchegado de carinho

terça-feira, 4 de junho de 2013

sms

queria soprar-te o rosto
queria afastar-te o mau
aquele que te levou o sorriso
que te entristece o olhar
que te aterroriza o pensamento

soprar-te-ia e diria
não faz mal, já passou
e abraçar-te-ia no peito
forte, mais forte e mais forte
só para que soubesses
onde é o teu lugar

segunda-feira, 3 de junho de 2013

quinta-feira, 23 de maio de 2013

teu lugar

corpo a corpo
toque a toque
como passo a passo
toquei-te à porta
no corpo
convidaste-me a entrar
no corpo
de porta entreaberta
no corpo
por onde entrava
no corpo
que queria mais corpo
no corpo
que tínhamos nas mãos

quando entrei
já tu estavas dentro de mim

onde permaneces
de adormecer em adormecer

sexta-feira, 17 de maio de 2013

sussurrantemente

vejo-te articular um som
que não ouço mas sei de amor
é-me bom e imagino
um repete por favor
e
ouço-te sorrir-me um beijo
enquanto me beijas em sussurro

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ser teu

entregar-me a ti é ser teu
sem te pertencer
pronunciar-te uma parte de mim
quando de facto sou teu
pelo desejo de te alegrar até à felicidade
o que me faz feliz
é que sendo teu, somos nós

domingo, 5 de maio de 2013

mãe

"foste tu que me fizeste mãe"
revelaste-me ao acordar.
sabia-o, claro,
mas nunca desta forma
(aparentemente) tão biológica
a mesma que me fez pai
no mesmo preciso momento.

tenho guardado como apontamentos
o teu olhar de íntima satisfação
enquanto acariciavas teu ventre,
a ternura que agarrava minha mão
para sentir em ti o pulsar na nossa vida,
a delícia que fotografavas (pai e filho),
a tua alegria feita de nós.

hoje percebi como me fizeste pai pela tua maternidade
e porque mãe sempre me foi mais que uma mera palavra
é-me uma expressão de vida.

amo-te mãe que fizemos
a tua grandeza está na grandiosidade
de que empossaste a palavra mãe.


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

desconforto

inquieta-me tudo o que faço
e o que deixo por fazer
inquieta-me a possibilidade de ser
e a outra
inquieto-me porque é tudo o que sei
inquieto-me porque a inquietude
é o meu modo de estar
e de viver

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

domingo, 20 de janeiro de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

singelo

semeámos trivialidades à beira mar
passeávamos iluminados
sol rasante
também raso de banalidades.
a sementeira nasceu, cresceu
e antes que o sol apagasse
colhemos um beijo
amante gerado em nós
e nossas vulgaridades.