soltarei o anjo de mim
que em mim se fez
que por mim amou
mais que ao próprio deus
por ser essa a vocação de anjo da guarda:
soltar-se e guardar com muito amor
o grande amor da sua vida.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
agradecimento
à vida nada se agradece
porque a geramos e fazemos
com os amigos e os conhecidos
com os parentes,
os desconhecidos e os indiferentes
e também com os inimigos
a todos um obrigado bem sincero
pela vida que me deram.
depois vem o sol e o mar
o vento, a brisa e a chuva
a primavera e o meu jardim
e o meu sonho: ser assim
porque a geramos e fazemos
com os amigos e os conhecidos
com os parentes,
os desconhecidos e os indiferentes
e também com os inimigos
a todos um obrigado bem sincero
pela vida que me deram.
depois vem o sol e o mar
o vento, a brisa e a chuva
a primavera e o meu jardim
e o meu sonho: ser assim
domingo, 3 de fevereiro de 2013
manhã de sol
meu sol dorme
aconchegado num sonho de paz
calmo, compassado
como a respiração
de um sono feliz
enquanto isso
meus olhos encaram a luz
e pesam, pesados de lágrimas
luzentes do sol
matinal e feliz
aconchegado num sonho de paz
calmo, compassado
como a respiração
de um sono feliz
enquanto isso
meus olhos encaram a luz
e pesam, pesados de lágrimas
luzentes do sol
matinal e feliz
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
desejo
tenho um desejo estravagante
berrar tudo de uma só vez
até a voz me sumir
até esgoelar ao ouvido
e nada se ouvir
exagero exagerado
exagero exagerado
de ficar com a voz exaurida
de gritar teu nome
bem grudado à minha vida.
desconforto
inquieta-me tudo o que faço
e o que deixo por fazer
inquieta-me a possibilidade de ser
e a outra
inquieto-me porque é tudo o que sei
inquieto-me porque a inquietude
é o meu modo de estar
e de viver
e o que deixo por fazer
inquieta-me a possibilidade de ser
e a outra
inquieto-me porque é tudo o que sei
inquieto-me porque a inquietude
é o meu modo de estar
e de viver
pensamento
sonhos de tormentos
ancoraram-me o acordar
vagas e momentos
que terei de enfrentar
tomei a decisão!
ancoraram-me o acordar
vagas e momentos
que terei de enfrentar
tomei a decisão!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
possessão
tem a força de um vulcão
tem a espuma do mar
o que me incha no peito
o que me faz rebentar
o que eu desconheço
só sei que sinto
não penso e escrevo
sou instrumento de escrita
expressão esse algo
que em mim habita
possuído, disso dependo
disso fiquei assim...
tem a espuma do mar
o que me incha no peito
o que me faz rebentar
o que eu desconheço
só sei que sinto
não penso e escrevo
sou instrumento de escrita
expressão esse algo
que em mim habita
possuído, disso dependo
disso fiquei assim...
teu sorriso
meu anjo da guarda
soprou-me ao ouvido
um sorriso de cupido
que guardei nos olhos
mantive-os fechados
lacrados
pálpebras encostadas
não quis se perdesse
nenhuma da luz
daquele sorrir
tão puro de lindo.
e quanto à orelha
do meu ouvido, o bafejado
pela sorte do anjo
toco-lhe de mansinho
toque de carinho
cheio de esperança
de vir a encontrar
só um bocadinho
do anjo que guardou
tão belo sorriso
no meu olhar.
soprou-me ao ouvido
um sorriso de cupido
que guardei nos olhos
mantive-os fechados
lacrados
pálpebras encostadas
não quis se perdesse
nenhuma da luz
daquele sorrir
tão puro de lindo.
e quanto à orelha
do meu ouvido, o bafejado
pela sorte do anjo
toco-lhe de mansinho
toque de carinho
cheio de esperança
de vir a encontrar
só um bocadinho
do anjo que guardou
tão belo sorriso
no meu olhar.
pensamento solto
o que me faz falta
o que me impediria de tudo
até de viver
seria fechar os olhos
e não te ver
o que me impediria de tudo
até de viver
seria fechar os olhos
e não te ver
pensamento solto
a perfeição, tal como a utopia
sonha-se de olhos bem abertos
gera-se no consenso e na cumplicidade
tal como a felicidade.
sonha-se de olhos bem abertos
gera-se no consenso e na cumplicidade
tal como a felicidade.
essência de mar
vagueavam as ondas,
extraviadas, que estavam
tanto viandar
vaga após vaga
essência da errância
que faz o mar
extraviadas, que estavam
tanto viandar
vaga após vaga
essência da errância
que faz o mar
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
misteriosos
teus lábios,
de que falam teus lábios?
de segredos
de inconfessável felícia?
de amores
latejantes de ternura?
de olhares
de impronunciáveis cumplicidades?
de sorrisos
encobertos de palavras?
que não ouço:
é que preciso saber
de que falam os teus lábios.
de que falam teus lábios?
de segredos
de inconfessável felícia?
de amores
latejantes de ternura?
de olhares
de impronunciáveis cumplicidades?
de sorrisos
encobertos de palavras?
que não ouço:
é que preciso saber
de que falam os teus lábios.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
despertar da primavera
e quando a primavera chegar...
regressará o chilrear dos teus beijos
esvoaçarão meus olhos
procurando os teus
fugazes, desafiadores
e quando a primavera chegar
voarás
buscando meus braços
que envoltos de saudade
se cingirão em ti
e quando a primavera chegar...
palpitará em teu peito
um coração de ave
e eu ver-te-ei voar.
regressará o chilrear dos teus beijos
esvoaçarão meus olhos
procurando os teus
fugazes, desafiadores
e quando a primavera chegar
voarás
buscando meus braços
que envoltos de saudade
se cingirão em ti
e quando a primavera chegar...
palpitará em teu peito
um coração de ave
e eu ver-te-ei voar.
revelações
nos sonhos de um banco de jardim
vermelho gasto de tão sonhado
e tantas vezes repintado
vimos o céu de azul
o laranja, quente de sol poente
e o escuro lírico de luar.
vermelho gasto de tão sonhado
e tantas vezes repintado
vimos o céu de azul
o laranja, quente de sol poente
e o escuro lírico de luar.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
gerundiando
vou gerundiar
em tudo o que fizer
vou-me entregar
prolongar
e saborear
simples:
gerundiando
entregando
fazendo
prolongando
saboreando.
em tudo o que fizer
vou-me entregar
prolongar
e saborear
simples:
gerundiando
entregando
fazendo
prolongando
saboreando.
gerúndio
descobri o prazer do gerúndio
estou saboreando...
têm algo de indefinido
simultâneo, de entrega
ao momento presente
total, atual.
há gerúndios que gostamos
pelo indefinido
entregua sem fim:
amando
sentindo
pensando
sorrindo
olhando
lendo
beijando
caminhando
escrevendo
encontrando
...
há outros gerúndios que se alongam
mais do que desejamos
descrevem
como sentimos indefinido
sem fim, o contratempo
que persistentemente
se insinua,
moendo
doendo
chorando
penando
partindo
magoando
...
gerúndio
tal como vivemos a vida
vivendo...
gosto!
gostando...
gerundiando...
estou saboreando...
têm algo de indefinido
simultâneo, de entrega
ao momento presente
total, atual.
há gerúndios que gostamos
pelo indefinido
entregua sem fim:
amando
sentindo
pensando
sorrindo
olhando
lendo
beijando
caminhando
escrevendo
encontrando
...
há outros gerúndios que se alongam
mais do que desejamos
descrevem
como sentimos indefinido
sem fim, o contratempo
que persistentemente
se insinua,
moendo
doendo
chorando
penando
partindo
magoando
...
gerúndio
tal como vivemos a vida
vivendo...
gosto!
gostando...
gerundiando...
domingo, 27 de janeiro de 2013
verão praiando
havia praia que chegasse para todos
e ali estavamos nós
sós, na beira d'água
rodeados pela multidão
gente que estava
e, alheada, nos deixava
celebrando em gerúndios.
e ali estavamos nós
sós, na beira d'água
rodeados pela multidão
gente que estava
e, alheada, nos deixava
celebrando em gerúndios.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
pensamento
o tédio sente-se na alma
porque a vida se aborrece
com ela mesma
e connosco.
acontece que um certo dia
se tornou desconfortável
levantar do sofá.
porque a vida se aborrece
com ela mesma
e connosco.
acontece que um certo dia
se tornou desconfortável
levantar do sofá.
que fazemos a este mar...
e agora...
que fazemos a este mar?
o que nos molhou os pés
ondas sussurrantes
uma, primeiro
depois outra e mais uma
e ainda outra ou mais
e rimos, barulheiros
fugindo e provocando...
que fazemos a este mar...
inspirador, atafulhou-nos
e transbordámos a ternura
que banhou todos os carinhos
que trocamos
entre pôr-do-sol e o luar...
que fazemos a este mar...
espelho da lua e das estrelas
que se rebola a nossos pés
que nos escuta, ronceiro
que se nos entregou
pelo ocioso marulhar...
que fazemos a este mar...
que fazemos a este mar?
o que nos molhou os pés
ondas sussurrantes
uma, primeiro
depois outra e mais uma
e ainda outra ou mais
e rimos, barulheiros
fugindo e provocando...
que fazemos a este mar...
inspirador, atafulhou-nos
e transbordámos a ternura
que banhou todos os carinhos
que trocamos
entre pôr-do-sol e o luar...
que fazemos a este mar...
espelho da lua e das estrelas
que se rebola a nossos pés
que nos escuta, ronceiro
que se nos entregou
pelo ocioso marulhar...
que fazemos a este mar...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
a felicidade do petiz
- CHOVEU NO MEU NARIZ
gritava, berrando, o petiz
saltando do colo da avó
irrequieto, satisfeito
deste dia predileto
feito para andar à chuva.
logo que pode, o pequeno
tocou o chão, correu pelo jardim
até que se deparou
com uma bela duma poça
água da chuva bem fria
inquieta e espelhada
pedindo, rogando ser pisada
de um só salto de pés juntos.
CHAPUM!, CHAPIM!
bradou a poça do jardim
o rapaz ficou molhado
feliz e enlameado
todo ele escorria
e a poça ficou vazia.
- AI JESUS NOSSA SENHORA
o que a tua mãe vai dizer
se te vê assim sujo a escorrer
e se ficares constipado
foi por te teres molhado
e essa roupa enlodada
e eu é que sou a culpada...
dizia a avó transtornada
com um sorriso escondido.
- ANDA CÁ MEU MENINO
não contaremos a ninguém
será um segredo nosso
quando tua mãe chegar
terei a roupa lavada
e tu limpinho e penteado
serás um menino lindo
e toda a gente será feliz
e com a graça de deus
não ficarás adoentado.
vem cá, vem...
quando a mãe entrou em casa
num impulso incontido,
gritou-lhe no colo, o traquinas
- HOJE CHOVEU NO MEU NARIZ!
gritava, berrando, o petiz
saltando do colo da avó
irrequieto, satisfeito
deste dia predileto
feito para andar à chuva.
logo que pode, o pequeno
tocou o chão, correu pelo jardim
até que se deparou
com uma bela duma poça
água da chuva bem fria
inquieta e espelhada
pedindo, rogando ser pisada
de um só salto de pés juntos.
CHAPUM!, CHAPIM!
bradou a poça do jardim
o rapaz ficou molhado
feliz e enlameado
todo ele escorria
e a poça ficou vazia.
- AI JESUS NOSSA SENHORA
o que a tua mãe vai dizer
se te vê assim sujo a escorrer
e se ficares constipado
foi por te teres molhado
e essa roupa enlodada
e eu é que sou a culpada...
dizia a avó transtornada
com um sorriso escondido.
- ANDA CÁ MEU MENINO
não contaremos a ninguém
será um segredo nosso
quando tua mãe chegar
terei a roupa lavada
e tu limpinho e penteado
serás um menino lindo
e toda a gente será feliz
e com a graça de deus
não ficarás adoentado.
vem cá, vem...
quando a mãe entrou em casa
num impulso incontido,
gritou-lhe no colo, o traquinas
- HOJE CHOVEU NO MEU NARIZ!
enlevo
i ato - desejo e sedução
o mar sempre desejou namorar a praia.
despudoradamente, corre, cavalgando
em ondas de desejo e de prazer
(o prazer de sentir desejo);
ruidosamente, volta e revolta-se
salpicando toda a espuma que pode,
só para parecer mais alvo e, quem sabe, mais belo,
acreditando, assim, conseguir seus intentos.
o mar sempre desejou namorar a praia.
despudoradamente, corre, cavalgando
em ondas de desejo e de prazer
(o prazer de sentir desejo);
ruidosamente, volta e revolta-se
salpicando toda a espuma que pode,
só para parecer mais alvo e, quem sabe, mais belo,
acreditando, assim, conseguir seus intentos.
a praia, é aquela cumplicidade
de água, areia e gente
onde convívio, alegria, folia e desejo não faltam.
não raramente, escasseia disponibilidade
para ceder ao mar
a atenção que este requer,
e o barulhento roncar, estonteante até,
queda-se mero fundo de uma paisagem viva.
é certo que não há paisagem sem fundo,
mas um mar apaixonado
precisa do virtuosismo do 1.º plano,
pelo menos ao pé da praia, sua amada.
no estado de minguada ou crescente,
a praia mantém a jornada,
ora só, ora apinhada de gente,
determinada que está a ser independente.
embora precise do mar bem próximo;
encorpa-lhe a alma, aquele roncar,
e adora ver-se enrolada pela areia,
sentir o mar espraiado,
ansioso por cobri-la
em toda a extensão do areal.
de água, areia e gente
onde convívio, alegria, folia e desejo não faltam.
não raramente, escasseia disponibilidade
para ceder ao mar
a atenção que este requer,
e o barulhento roncar, estonteante até,
queda-se mero fundo de uma paisagem viva.
é certo que não há paisagem sem fundo,
mas um mar apaixonado
precisa do virtuosismo do 1.º plano,
pelo menos ao pé da praia, sua amada.
no estado de minguada ou crescente,
a praia mantém a jornada,
ora só, ora apinhada de gente,
determinada que está a ser independente.
embora precise do mar bem próximo;
encorpa-lhe a alma, aquele roncar,
e adora ver-se enrolada pela areia,
sentir o mar espraiado,
ansioso por cobri-la
em toda a extensão do areal.
ii ato - impossível
o mar tem um estar ramerrão:
revigora-se 2 vezes ao dia
para descansar nos intervalos.
descreve-se pela rotina,
em texto corrido, chega uma linha.
a irreverente praia, ora se abandona
ao seu areal, solitária,
ora se dedica às estrelas, ao sol e ao nevoeiro,
ora, ainda, se vê pejada de gente,
pingentes que ostenta vaidosa
feliz de ser a escolhida.
não tem manias de vida,
tem o sabor da maresia e da nortada,
o toque do sal e da areia,
o fresco da neblina,
o brilho do sol, da lua e da trovoada.
irrequieta e ladina, gosta do mar,
mas não se vê namorar
(com data e hora marcada)
agenda que não é a sua.
talvez seja descritível, a praia
nas sinusóides do areal
num estilo enigmático
insinuado à luz da lua.
(com data e hora marcada)
agenda que não é a sua.
talvez seja descritível, a praia
nas sinusóides do areal
num estilo enigmático
insinuado à luz da lua.
iii ato - cumplicidade
a praia celebra a vida, cuja força vem do mar
que sendo parte da praia, não a pode namorar
isto nunca perceberá essa entidade solitária
e autoritária, chamada mar.
ora, segundo esta história,
nós somos meros pingentes,
alindamos a praia, reluzimos
a magia necessária e damos-lhe vida de gente...
alindamos a praia, reluzimos
a magia necessária e damos-lhe vida de gente...
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
ilusão
às vezes penso que despontaste em mim
quando, de facto, tu me fizeste despontar
creio que surgiste do meu sonho
quando, realmente, tu me fizeste sonhar
vejo-te desabrochar de amor
quando, na verdade, tu me fizeste amar
sonho que encantada me olhas, bela
quando tu é que me encantas
em cada passo que dás
em cada sopro que soltas
e de cada vez que gostas
deste meu vício de poemar.
em cada passo que dás
em cada sopro que soltas
e de cada vez que gostas
deste meu vício de poemar.
errante
pousei a cabeça
adormecendo ao tempo
desejando não mais acordar
suplício de momento
desejar ver a vida correr
dormitando, sem participar
inábil para lhe mudar o tento
sabendo ser muito errado
esta forma de viver.
adormecendo ao tempo
desejando não mais acordar
suplício de momento
desejar ver a vida correr
dormitando, sem participar
inábil para lhe mudar o tento
sabendo ser muito errado
esta forma de viver.
quadra
senti o olhar de teus olhos
senti teus olhos brilhar
o que eu daria para ver
teus lindos olhos dançar.
senti teus olhos brilhar
o que eu daria para ver
teus lindos olhos dançar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
desejo do céu
era tanta a noite
quando olhei a cidade
um pontilhado de luzes, estrelas
dir-se-ia.
o céu deixara-se breu
fizera-se deserto desolado
quisera sentíssemos de perto
na vida da metrópole
o encanto do firmamento.
quando olhei a cidade
um pontilhado de luzes, estrelas
dir-se-ia.
o céu deixara-se breu
fizera-se deserto desolado
quisera sentíssemos de perto
na vida da metrópole
o encanto do firmamento.
compromisso
chegam-me todas as manhãs
dias, perdidos do norte
alheados do fim
entram e acompanham-me
...
confessámo-nos
e partimos, encontrando
talvez construindo
quem sabe desvendando
o sentido de cada presente.
temos um acordo:
por enquanto, o futuro
é somente o que vier a acontecer
envolto da pura brancura da paz.
dias, perdidos do norte
alheados do fim
entram e acompanham-me
...
confessámo-nos
e partimos, encontrando
talvez construindo
quem sabe desvendando
o sentido de cada presente.
temos um acordo:
por enquanto, o futuro
é somente o que vier a acontecer
envolto da pura brancura da paz.
amor é:
ansiar o encontro do final do dia
depois que o encontra, não saber que fazer nem que dizer...
depois que o encontra, não saber que fazer nem que dizer...
domingo, 20 de janeiro de 2013
chuva
bateu à minha vidraça
a velha amiga de infância
trazia-me a fantasia
a das histórias geniais
que os dois vivemos, ninguém mais
quisera lembrar-me do tempo
em que lhe beijava as gotas
agradecido pelas miragens
oferecidas por elas
e reluzindo escorreu
era uma lágrima sorrindo
na vidraça da janela.
tantos anos passados
e a magia não se perdeu.
a velha amiga de infância
trazia-me a fantasia
a das histórias geniais
que os dois vivemos, ninguém mais
quisera lembrar-me do tempo
em que lhe beijava as gotas
agradecido pelas miragens
oferecidas por elas
e reluzindo escorreu
era uma lágrima sorrindo
na vidraça da janela.
tantos anos passados
e a magia não se perdeu.
sábado, 19 de janeiro de 2013
quadra
as nuvens do meu caminho
andaram comigo todo o dia
eu chamei-lhes nevoeiro
e elas queriam companhia.
andaram comigo todo o dia
eu chamei-lhes nevoeiro
e elas queriam companhia.
ode à vida
as árvores deste caminho
passeiam com o vento, gostam dele
esbracejam, dançando, uivando
tanta força, magia e encanto
dá gosto vê-las viver.
passeiam com o vento, gostam dele
esbracejam, dançando, uivando
tanta força, magia e encanto
dá gosto vê-las viver.
chuva
tomaste as ondas do vento
rumaste à minha janela
onde te pousaste, reluzente
e como lágrima partiste
escorrendo por ela.
rumaste à minha janela
onde te pousaste, reluzente
e como lágrima partiste
escorrendo por ela.
navegando ao vento
andei nas ondas do vento
nelas me fiz navegar
então percebi porque o vento
era amigo do mar
ambos gostam da refrega
ambos procuram folia
ambos correm para terra
com o mesmo soar
ambos se confessam a nós
humanos de uma janela
de onde se perde o olhar.
nelas me fiz navegar
então percebi porque o vento
era amigo do mar
ambos gostam da refrega
ambos procuram folia
ambos correm para terra
com o mesmo soar
ambos se confessam a nós
humanos de uma janela
de onde se perde o olhar.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
singelo
semeámos trivialidades à beira mar
passeávamos iluminados
sol rasante
também raso de banalidades.
a sementeira nasceu, cresceu
e antes que o sol apagasse
colhemos um beijo
amante gerado em nós
e nossas vulgaridades.
passeávamos iluminados
sol rasante
também raso de banalidades.
a sementeira nasceu, cresceu
e antes que o sol apagasse
colhemos um beijo
amante gerado em nós
e nossas vulgaridades.
deflagrar de amigo
os amigos nascem no peito
num mansinho silente
por lá ficam morando
embalados pelo coração
ainda que longe da vista
afloram-nos ao pensamento
e solta-se aquele sorriso
...
e quando nos encontramos
ardem os olhos de resplandecentes
meus deus!
o mundo é pequeno para nós.
num mansinho silente
por lá ficam morando
embalados pelo coração
ainda que longe da vista
afloram-nos ao pensamento
e solta-se aquele sorriso
...
e quando nos encontramos
ardem os olhos de resplandecentes
meus deus!
o mundo é pequeno para nós.
pensamento solto
encubro-me em cada olhar
ocultando minha alma
na escrita se esgueira
como a fina areia
da minha mão bem cerrada
...
ocultando minha alma
na escrita se esgueira
como a fina areia
da minha mão bem cerrada
...
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
poemar
poemar
se fosse verbo, seria ação
poderia ser a arte de compor
com o coração
aquilo que o pensamento vê
as sensações dos sentidos
e o sentido das perceções
se poemar fosse verbo
teria pessoas, teria tempos
teria conjugações
poderia declamar-se
trauteando
como cantiga de escola, bisada
do princípio até ao fim.
compondo, conjugando
um sentido, uma acção
progredimos poemando
atendendo aos fonemas
dobando, tecendo
temos um poema na mão.
o que sentimos poemando
o estado d'alma que nos movia
é a alma do poema
aí temos a poesia.
se fosse verbo, seria ação
poderia ser a arte de compor
com o coração
aquilo que o pensamento vê
as sensações dos sentidos
e o sentido das perceções
se poemar fosse verbo
teria pessoas, teria tempos
teria conjugações
poderia declamar-se
trauteando
como cantiga de escola, bisada
do princípio até ao fim.
compondo, conjugando
um sentido, uma acção
progredimos poemando
atendendo aos fonemas
dobando, tecendo
temos um poema na mão.
o que sentimos poemando
o estado d'alma que nos movia
é a alma do poema
aí temos a poesia.
pensamento solto
quantas estrelas há num céu ensolarado?
quantas existem num céu cinzento?
as mesmas que num céu estrelado!
parecendo mentira e querendo comprovado
no primeiro caso está-se ofuscado
no segundo está-nos ocultado
e demonstra-se que o nosso estado
ainda que seja só desatento
nos leva a apreender errado.
quantas existem num céu cinzento?
as mesmas que num céu estrelado!
parecendo mentira e querendo comprovado
no primeiro caso está-se ofuscado
no segundo está-nos ocultado
e demonstra-se que o nosso estado
ainda que seja só desatento
nos leva a apreender errado.
palavras
soltei palavras ao vento e foram, partiram
umas perderam-se, outras por lá ficaram
algumas regressaram e nem todas eu reconhecia
chegaram palavras do mundo
mais ricas do que quando abalaram
e prosseguiram...
reencontrá-las-ei uma dia.
umas perderam-se, outras por lá ficaram
algumas regressaram e nem todas eu reconhecia
chegaram palavras do mundo
mais ricas do que quando abalaram
e prosseguiram...
reencontrá-las-ei uma dia.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
pensamento solto
às vezes só há compromisso
e não há outra perfeição
que vá além da perfeição
do próprio compromisso
e não há outra perfeição
que vá além da perfeição
do próprio compromisso
bailado
cantei na melodia do vento
o que me ia no pensamento
no estusiasmo, subi o tom
o vento me acompanhou
ampliando o ventar
cantamos a belo cantar.
as árvores, de batuta ao ar
distendiam-se, gesticulavam
unissonantes comandavam
com vigoroso batutar.
os pássaros riscavam o céu
em voos curtos corridos
traços que ligavam linhas
das nuvens, elas dançavam
corriam, rodavam, pulavam
na música do sentimento
que fora meu e do vento
e a todos contagiava.
interpretamos um bailado
coreografado no céu
entoado no pensamento
na métrica da natureza
fez-se um milagre do peito
celebramos a beleza.
quando cruzamos olhares
tocou-nos a comunhão
e nos embebemos nela
o vento fora, eu dentro
os dois à mesma janela.
o que me ia no pensamento
no estusiasmo, subi o tom
o vento me acompanhou
ampliando o ventar
cantamos a belo cantar.
as árvores, de batuta ao ar
distendiam-se, gesticulavam
unissonantes comandavam
com vigoroso batutar.
os pássaros riscavam o céu
em voos curtos corridos
traços que ligavam linhas
das nuvens, elas dançavam
corriam, rodavam, pulavam
na música do sentimento
que fora meu e do vento
e a todos contagiava.
interpretamos um bailado
coreografado no céu
entoado no pensamento
na métrica da natureza
fez-se um milagre do peito
celebramos a beleza.
quando cruzamos olhares
tocou-nos a comunhão
e nos embebemos nela
o vento fora, eu dentro
os dois à mesma janela.
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
estória sem fim
descobri a nudez; aquele modo de nos apresentarmos sem adereços, sem nada a esconder, e partilhar o nosso segredo, a que chamamos intimidade.
revelou-mo uma árvore que se despiu das folhas para ostentar gotas de orvalho coloridas de sol, em seus ramos.
quando lhe perguntei porque se desnudara, respondeu-me desejar mostrar-me sua intimidade à luz do sol...
trovas
há coisas que tenho perdidas
e que gostaria de encontrar
não que me sejam queridas
são uma parte de mim
que não posso ignorar
a matéria de que me fiz
tem esta arte do ignorado
tem esta busca incontida
daquela parte de mim
que eu dei por censurado
e que gostaria de encontrar
não que me sejam queridas
são uma parte de mim
que não posso ignorar
a matéria de que me fiz
tem esta arte do ignorado
tem esta busca incontida
daquela parte de mim
que eu dei por censurado
crescer
mãe, quantos anos tenho?
que vou ser quando crescer?
serás o meu menino grande
aconteça o que acontecer.
que vou ser quando crescer?
serás o meu menino grande
aconteça o que acontecer.
estória sem fim
uma fada apareceu-lhe, decidida a torná-la feliz.
conceder-lhe-ia todos os desejos, mesmo os mais audazes, usando a magia que já escolhera.
quando perdeu o umbigo e o encantamento por ele, ela elevou o rosto, olhou em redor e sorriu.
havia tanto tempo que não sorria...
conceder-lhe-ia todos os desejos, mesmo os mais audazes, usando a magia que já escolhera.
quando perdeu o umbigo e o encantamento por ele, ela elevou o rosto, olhou em redor e sorriu.
havia tanto tempo que não sorria...
pensamento solto
ananiquei minhas emoções
fiz-me forte, fiz-me homem
agora passeio com elas
abraçando, correndo,
rindo, bulhando
creio tornar-me pessoa
fiz-me forte, fiz-me homem
agora passeio com elas
abraçando, correndo,
rindo, bulhando
creio tornar-me pessoa
lugares comuns ao sol
sol,
quando as nuvens
mostram teu lado cinzento
sol,
quando pelo nevoeiro
ostentas teus raios
sol,
quando as árvores e as flores
expõem tua paleta de cores
sol,
quando as abelhas e os pássaros
dançam no teu pulsar de vida
sol,
quando as gotas de chuva
te exibem o arco-íris
delicio-me pela tua existência
porque meus olhos preferidos
te iluminam, sol
quando as nuvens
mostram teu lado cinzento
sol,
quando pelo nevoeiro
ostentas teus raios
sol,
quando as árvores e as flores
expõem tua paleta de cores
sol,
quando as abelhas e os pássaros
dançam no teu pulsar de vida
sol,
quando as gotas de chuva
te exibem o arco-íris
delicio-me pela tua existência
porque meus olhos preferidos
te iluminam, sol
essência
faço-me no silêncio
amanhecendo, entardecendo
e tomo consciência de mim na palavra
aquela que escrevo
amanhecendo, entardecendo
e tomo consciência de mim na palavra
aquela que escrevo
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
até domingo às 9
cada vez chegas mais de mansinho
cada vez pedes mais carinho
cada vez demoras mais a despedida
cada vez dói-te mais minha partida
como se houvesse algo por dizer
que ainda não foi dito
o tom da tua voz declara mais que as palavras
fala de uma vida
que vais soltando aos poucos
porque a vida também se larga
confirmou-mo o teu olhar
sereno de resignado
assustado de impreparado
já não queremos dizer adeus
despedimo-nos até ao próximo encontro
que queremos tenha data e hora marcada.
cada vez pedes mais carinho
cada vez demoras mais a despedida
cada vez dói-te mais minha partida
como se houvesse algo por dizer
que ainda não foi dito
o tom da tua voz declara mais que as palavras
fala de uma vida
que vais soltando aos poucos
porque a vida também se larga
confirmou-mo o teu olhar
sereno de resignado
assustado de impreparado
já não queremos dizer adeus
despedimo-nos até ao próximo encontro
que queremos tenha data e hora marcada.
paz
e quando meus olhos
procuram o céu
buscam a luz e o vento
as nuvens e o puro azul
ou nada, simplesmente
como a serenidade
que vive no firmamento
procuram o céu
buscam a luz e o vento
as nuvens e o puro azul
ou nada, simplesmente
como a serenidade
que vive no firmamento
submissão
submeti-me ao caminho
acreditando ser meu destino
caminhar e caminhar
calcorreando, olhei o céu
de azul vi escrito meu fado
cantando que eu fora talhado
para voar e voar
deduzi haver algo errado
pois nunca me vira alado
logo seria caminhante
e segui por diante
chamou uma nuvem, sorridente
e indulgente explicou
que os homens, como as nuvens
sem asas, podem planar
porque deus lhes deu o vento
o sonho e o pensamento
e um céu para voar
acreditando ser meu destino
caminhar e caminhar
calcorreando, olhei o céu
de azul vi escrito meu fado
cantando que eu fora talhado
para voar e voar
deduzi haver algo errado
pois nunca me vira alado
logo seria caminhante
e segui por diante
chamou uma nuvem, sorridente
e indulgente explicou
que os homens, como as nuvens
sem asas, podem planar
porque deus lhes deu o vento
o sonho e o pensamento
e um céu para voar
envelhecer
gritou-me a garganta
berrou-me o peito
suplicou-me a alma
tudo a uma só voz
adormeceu-me a língua
gelaram-me os dedos
entorpeceu-me o pensamento
tudo num só movimento
envelheço, envelheço, envelheço...
berrou-me o peito
suplicou-me a alma
tudo a uma só voz
adormeceu-me a língua
gelaram-me os dedos
entorpeceu-me o pensamento
tudo num só movimento
envelheço, envelheço, envelheço...
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
parabéns, mãe
mãe
que me ensinaste o amor
quando me acariciaste em teu ventre
movimentos que não lembro mas a que adivinho o toque
quando me sonhaste nascido, no colo
depois crescido... e sempre menino
o teu menino
agora meu peito não parará
é a lei da natureza
a tua, mãe
parabéns
que me ensinaste o amor
quando me acariciaste em teu ventre
movimentos que não lembro mas a que adivinho o toque
quando me sonhaste nascido, no colo
depois crescido... e sempre menino
o teu menino
agora meu peito não parará
é a lei da natureza
a tua, mãe
parabéns
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
traquinice
varejei as estrelas por traquinice
queria vê-las irrequietas
correram atrás de mim, fuji delas
voando, fintando em longas piruetas
gargalhamos na apanhada
pulamos, brigamos, brincamos
ai como gritamos
nada sossegou, nada
mas que boa varejada
à noite, recolheu-nos, a lua
embalou-nos ao luar
dançou-nos uma história de encantar
brindamos sorrindo, não aplaudimos
e adormecemos reconhecidos
na quietude...
o sol, quando nos despertou
soalheiro murmurou
eh malta! que varejada.
queria vê-las irrequietas
correram atrás de mim, fuji delas
voando, fintando em longas piruetas
gargalhamos na apanhada
pulamos, brigamos, brincamos
ai como gritamos
nada sossegou, nada
mas que boa varejada
à noite, recolheu-nos, a lua
embalou-nos ao luar
dançou-nos uma história de encantar
brindamos sorrindo, não aplaudimos
e adormecemos reconhecidos
na quietude...
o sol, quando nos despertou
soalheiro murmurou
eh malta! que varejada.
criação
quando a palavra ganha vida
alcança cor e colorido
sabor e sentimento
sentido e harmonia
som de melodia
emoção e pensamento
ouvido, seio e mão
colo, conforto e grito
alegria gargalhada
tristeza no peito gerada
fome, desejo e amor
lágrima pura, cristalina
ódio, desespero e dor
doçura e fantasia menina
alma, asas de borboleta...
do homem nasce um poeta
cumpriu-se a criação
e fez-se a vontade de deus.
alcança cor e colorido
sabor e sentimento
sentido e harmonia
som de melodia
emoção e pensamento
ouvido, seio e mão
colo, conforto e grito
alegria gargalhada
tristeza no peito gerada
fome, desejo e amor
lágrima pura, cristalina
ódio, desespero e dor
doçura e fantasia menina
alma, asas de borboleta...
do homem nasce um poeta
cumpriu-se a criação
e fez-se a vontade de deus.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
espelho
da chuva molhada caída no chão
fez-se um espelho
emoldurado pelo empedrado
onde se mirava a cidade passar
todos o viram e ninguém se viu
muitos o pisaram e não se partiu
a chuva parou
o empedrado está lá mas não é moldura
porque o espelho se evaporou.
fez-se um espelho
emoldurado pelo empedrado
onde se mirava a cidade passar
todos o viram e ninguém se viu
muitos o pisaram e não se partiu
a chuva parou
o empedrado está lá mas não é moldura
porque o espelho se evaporou.
mulher
mulher, mãe
amante, amada
muito amada
colo da vida
prenhe de amor
beijo bafejado
carinho amimado
canção de embalar
criação do poeta
poesia que semeaste
que criaste no peito
semente
nascente
mulher, musa
poesia
amante, amada
muito amada
colo da vida
prenhe de amor
beijo bafejado
carinho amimado
canção de embalar
criação do poeta
poesia que semeaste
que criaste no peito
semente
nascente
mulher, musa
poesia
fantasia
pariu-me um temporal
isso mesmo, fui parido
não deu tempo de nascer
fui largado no vento, tenebroso
vigoroso, o meu vagido
nem sequer foi ouvido
fiz um manguito ao demónio
mostrei figas aos anjos
batizaram-me de antónio
assim, tortuoso d'oliveira
podia ser pau, podia ser acha
mas não seria madeira
ditava a lei, é tudo o que sei
fui gota de água, lágrima de santo
por ser sagrada, era mais salgada
caí em manto que não quis molhar
recusei o meu estado
parti na luz do dia com a escuridão da noite
viajei com o rio, confessei o mar
expliquei à lua o que era o luar
falei-lhe do sol que não conhecia
nunca vira o dia
aquele que nasceu
e eu acordei do que sonhei
o que seria, não sei
talvez poesia
mas de certo, fantasia.
isso mesmo, fui parido
não deu tempo de nascer
fui largado no vento, tenebroso
vigoroso, o meu vagido
nem sequer foi ouvido
fiz um manguito ao demónio
mostrei figas aos anjos
batizaram-me de antónio
assim, tortuoso d'oliveira
podia ser pau, podia ser acha
mas não seria madeira
ditava a lei, é tudo o que sei
fui gota de água, lágrima de santo
por ser sagrada, era mais salgada
caí em manto que não quis molhar
recusei o meu estado
parti na luz do dia com a escuridão da noite
viajei com o rio, confessei o mar
expliquei à lua o que era o luar
falei-lhe do sol que não conhecia
nunca vira o dia
aquele que nasceu
e eu acordei do que sonhei
o que seria, não sei
talvez poesia
mas de certo, fantasia.
domingo, 6 de janeiro de 2013
bom dia
sei que pensas em mim
sei...
sinto a tua presença
a luz do dia é quente
resplandecente
teu olhar pequenino
no ar
vem teu sabor de beijo.
sei...
sinto a tua presença
a luz do dia é quente
resplandecente
teu olhar pequenino
no ar
vem teu sabor de beijo.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
esqueci-me, ainda
esqueci-me do tempo...
aquele em que me via ao espelho
e não via nada
senão mesmo uma figura fugidia
apressada
alinhando o desalinho
de olhos colados no caminho
andando acelerada.
aquele em que me via ao espelho
e não via nada
senão mesmo uma figura fugidia
apressada
alinhando o desalinho
de olhos colados no caminho
andando acelerada.
esqueci-me
esqueci-me...
esqueci-me que dia era hoje
voltei a esquecer-me que dia era hoje
não fora planeado, o dia
nem o seu lugar num calendário
não tinha agenda, nem se enchera
antecipadamente
não era importante...
eis porque esqueci que dia era hoje.
esqueci-me que dia era hoje
voltei a esquecer-me que dia era hoje
não fora planeado, o dia
nem o seu lugar num calendário
não tinha agenda, nem se enchera
antecipadamente
não era importante...
eis porque esqueci que dia era hoje.
contemplação
o que vejo deste lugar
já a janela mo revelou
centenas de vezes
em outros tantos dias
é um ver já visto
que inspira
um olhar perdido
paisagem com fundo de céu
vício de andar fugido
delírio de liberdade.
já a janela mo revelou
centenas de vezes
em outros tantos dias
é um ver já visto
que inspira
um olhar perdido
paisagem com fundo de céu
vício de andar fugido
delírio de liberdade.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
mão dada
como um sonho
na palma da mão
nasceu uma flor
bicou um pássaro
poisou uma bola de sabão
como um sonho
na palma da mão
era menino
aparei o pião
apanhei o vento
agarrei areia
cacei tua mão
e a minha ficou cheia
como um sonho
na palma da mão
senti carícias
e acariciei
colei-te ao peito
para que me ouvisses
pulsando pelo coração
como um sonho
na palma da mão
pelas mãos nos demos
fruímos do estado
andando, passeando
o sonho nosso
na palma da mão.
na palma da mão
nasceu uma flor
bicou um pássaro
poisou uma bola de sabão
como um sonho
na palma da mão
era menino
aparei o pião
apanhei o vento
agarrei areia
cacei tua mão
e a minha ficou cheia
como um sonho
na palma da mão
senti carícias
e acariciei
colei-te ao peito
para que me ouvisses
pulsando pelo coração
como um sonho
na palma da mão
pelas mãos nos demos
fruímos do estado
andando, passeando
o sonho nosso
na palma da mão.
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
2013
pois...
e o ano novo chega
este sob o signo do revés
viver-se-á
com o espírito combatido
inevitável travessia
de lés a lés
que passe depressa.
e o ano novo chega
este sob o signo do revés
viver-se-á
com o espírito combatido
inevitável travessia
de lés a lés
que passe depressa.
sábado, 29 de dezembro de 2012
novo ano
o novo ano que chega
tem a alegria da esperança
tem o desejo de ser bom
de quem aspira fazer feliz
a avozinha e a criança
a cidade e o país.
tem a alegria da esperança
tem o desejo de ser bom
de quem aspira fazer feliz
a avozinha e a criança
a cidade e o país.
o tempo
descansou, o tempo
ainda que sem parar
fora do ritmo cansa, pensou
então tique taqueou
como sempre fizera
ventaneou, ensolarou
brilhou, acinzentou
choveu e enevoou
desta vez repousado
descansando
no ritmo ritmado
que sempre tivera
tique taqueando
do verão à primavera.
ainda que sem parar
fora do ritmo cansa, pensou
então tique taqueou
como sempre fizera
ventaneou, ensolarou
brilhou, acinzentou
choveu e enevoou
desta vez repousado
descansando
no ritmo ritmado
que sempre tivera
tique taqueando
do verão à primavera.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
paixão
se hoje fosse meu último dia
amar-te-ia ainda mais, desesperadamente
como quem agarra a última oportunidade
de se fazer feliz.
amar-te-ia ainda mais, desesperadamente
como quem agarra a última oportunidade
de se fazer feliz.
acontecer
escrevi-te nos sonhos
dormia, acordava
sonhava, vivia
um sonho
vivido
e fiz-te uma ideia
a que chamei magia
juntei-te os factos
e as palavras talhadas
nasceste poema
que li e reli
depois retoquei
fizeste-te de mim
por ti eu cresci
em ti eu amei...
ai se amei...
então nossas almas
foram partilhadas
ficaste poesia.
dormia, acordava
sonhava, vivia
um sonho
vivido
e fiz-te uma ideia
a que chamei magia
juntei-te os factos
e as palavras talhadas
nasceste poema
que li e reli
depois retoquei
fizeste-te de mim
por ti eu cresci
em ti eu amei...
ai se amei...
então nossas almas
foram partilhadas
ficaste poesia.
caminho
para onde me levas
caminho
que piso, que passo
percorro
para onde me levas
surdo que és
te fazes e me ouves
confidências perdidas
para onde me levas
trauteias
os sons da manhã
sorris-me no dia
desvendas-te à noite
para onde me levas
sem norte, sem astros
sem vento
faço-te caminho
dia após dia
para onde me levas
caminho
que piso, que passo
percorro
para onde me levas
surdo que és
te fazes e me ouves
confidências perdidas
para onde me levas
trauteias
os sons da manhã
sorris-me no dia
desvendas-te à noite
para onde me levas
sem norte, sem astros
sem vento
faço-te caminho
dia após dia
para onde me levas
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
ânsia
anseio pelo desconforto
porque deste conforto
já me sinto desconfortável
por não me deixar escrever.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
.
é! hoje é natal
como nos restantes dias
é bom que hoje façamos natal
só isso
que hoje façamos natal
como nos restantes dias
é bom que hoje façamos natal
só isso
que hoje façamos natal
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
história de um sonho
era uma vez um sonho
que me rondava, rondava
um dia, rondava-me o sonho
no momento em que eu acordava
espreguiçei-me bem forte
o mais vigoroso que pude
estiquei-me, agarrei o sonho
que trouxe para o amanhecido
sorriu-me, foi amável comigo
e não me achou rude
explicou-me mais tarde
que há muito por mim esperava.
agora como somos amigos
ele mora em minha casa
agora que nos damos os dois
voamos nas suas asas.
agora cresceremos juntos
e teremos uma vida sem fim
este é o sonho dele
um dia, confessou-mo a mim.
que me rondava, rondava
um dia, rondava-me o sonho
no momento em que eu acordava
espreguiçei-me bem forte
o mais vigoroso que pude
estiquei-me, agarrei o sonho
que trouxe para o amanhecido
sorriu-me, foi amável comigo
e não me achou rude
explicou-me mais tarde
que há muito por mim esperava.
agora como somos amigos
ele mora em minha casa
agora que nos damos os dois
voamos nas suas asas.
agora cresceremos juntos
e teremos uma vida sem fim
este é o sonho dele
um dia, confessou-mo a mim.
sonho ou carpe diem
sonhei que sonhava
acordado e estava
na praia
onde se encontra com o mar
procurei uma história
indaguei o tempo
como se tratava de um sonho
não tive de encher o momento.
então deixamo-nos estar...
eu, a praia e o mar.
acordado e estava
na praia
onde se encontra com o mar
procurei uma história
indaguei o tempo
como se tratava de um sonho
não tive de encher o momento.
então deixamo-nos estar...
eu, a praia e o mar.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
história sem palavras
escreveremos nossa história sem palavras
porque de silêncios nos fizemos
entregues ao sentido que nos gerou
e aos sentimentos em que nos criámos
nascidos que somos de nós mesmos
descrever-nos-emos com os olhos
pelos olhares
coloridos, meigos, doces, garridos
desenharemos carinhos em nossos corpos
bailados de cisne coreografados à pena
em caligrafia de poemas de amor
pronunciaremos mudas palavras
deslumbrar-nos-emos com nossas bocas
gesticulando os beijos que desejamos
teremos uma história escrita nos dias
guardada em memórias
daquelas que geram sorrisos
que só nós entenderemos
cumplicidades de apaixonados
porque de silêncios nos fizemos
entregues ao sentido que nos gerou
e aos sentimentos em que nos criámos
nascidos que somos de nós mesmos
descrever-nos-emos com os olhos
pelos olhares
coloridos, meigos, doces, garridos
desenharemos carinhos em nossos corpos
bailados de cisne coreografados à pena
em caligrafia de poemas de amor
pronunciaremos mudas palavras
deslumbrar-nos-emos com nossas bocas
gesticulando os beijos que desejamos
teremos uma história escrita nos dias
guardada em memórias
daquelas que geram sorrisos
que só nós entenderemos
cumplicidades de apaixonados
pensamento
o que nos é dirigido
pertence-nos, é feito de nós
pouco importa onde nasceu
a mão que o fez
ou quem o pensou
não importa por onde viaje
nem os lugares que percorra
é, simplesmente, um pouco de nós
algures no mundo
pertence-nos, é feito de nós
pouco importa onde nasceu
a mão que o fez
ou quem o pensou
não importa por onde viaje
nem os lugares que percorra
é, simplesmente, um pouco de nós
algures no mundo
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
transmudação
e se eu escrevesse sobre ti?
sim, sobre ti que me lês
de palavra em palavra
procurando um sentido
aquele que a tua curiosidade
vai desvendando
oh! se vai...
adoro essa tua curiosidade
alimenta-me
é que alimento-me do sentido
aquele que sentes
e o que me dás
sim, porque és tu quem me dá sentido
a partir do que sentes
somos companheiros
de uma viagem
que iniciamos conhecidos
e acabaremos amigos
ainda que nunca mais nos vejamos.
sinto, porque agora eu também sinto
que te surpreendi
ao propor-te leres-me de ti
e ter a ousadia
de te surpreender
que os dois nos fazemos
pelo método de ler.
ainda que nunca mais nos vejamos.
sinto, porque agora eu também sinto
que te surpreendi
ao propor-te leres-me de ti
e ter a ousadia
de te surpreender
que os dois nos fazemos
pelo método de ler.
fado
ouvi-te numa música
peguei-te na mão
que beijei
em cada palavra
da canção saudade
dancei-te nos braços
aperto abraçado
de peito fervente
ah! que abraço tão quente
e forte de nosso
e rodamos
e rodamos
num eterno rodar
e a música tocou
e nunca acabou
ficou no ar...
ainda te danço
no nosso abraçar
peguei-te na mão
que beijei
em cada palavra
da canção saudade
dancei-te nos braços
aperto abraçado
de peito fervente
ah! que abraço tão quente
e forte de nosso
e rodamos
e rodamos
num eterno rodar
e a música tocou
e nunca acabou
ficou no ar...
ainda te danço
no nosso abraçar
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
olhar ilícito
olhei-te demoradamente
quis sentir-te próxima
por isso te olhei sem que soubesses
quis assim
pude ler teus pensamentos
nos movimentos com que desfolhavas
teu livro ou tuas recordações
li aquele teu sorriso impercetível
que guardas, sem esconder, no canto dos lábios
e que faz a minha felicidade
é delicioso sentir-te sorrir
emerge em mim uma paz interior
como uma bolha
que se expande do centro do corpo
num movimento ondulante
redondo como teu peito
que se move ao ritmo pulsante da vida
teus pensamentos são de paz
julgo, na serenidade do entardecer
iluminado pelo sol refletido dos teus joelhos
que te alumia o rosto
de um tom de candura
bem demarcado
da ilicitude do meu olhar demorado.
quis sentir-te próxima
por isso te olhei sem que soubesses
quis assim
pude ler teus pensamentos
nos movimentos com que desfolhavas
teu livro ou tuas recordações
li aquele teu sorriso impercetível
que guardas, sem esconder, no canto dos lábios
e que faz a minha felicidade
é delicioso sentir-te sorrir
emerge em mim uma paz interior
como uma bolha
que se expande do centro do corpo
num movimento ondulante
redondo como teu peito
que se move ao ritmo pulsante da vida
teus pensamentos são de paz
julgo, na serenidade do entardecer
iluminado pelo sol refletido dos teus joelhos
que te alumia o rosto
de um tom de candura
bem demarcado
da ilicitude do meu olhar demorado.
inspiração
não passa um dia
em que não pense em ti
na tua ausência
vejo teus olhos
sinto teu sorriso
saboreio nosso beijo
fresco, meigo, carnudo
solto um pensamento
prenhe de ternura
tamanha doçura
carinhos de namorados
em que não pense em ti
na tua ausência
vejo teus olhos
sinto teu sorriso
saboreio nosso beijo
fresco, meigo, carnudo
solto um pensamento
prenhe de ternura
tamanha doçura
carinhos de namorados
simetria
vida
por mais que te esforçes
hoje, insatisfazes-me
insatisfaço-me, hoje
por mais que me esforce
eu
por mais que te esforçes
hoje, insatisfazes-me
insatisfaço-me, hoje
por mais que me esforce
eu
domingo, 16 de dezembro de 2012
dança de árvore
teu corpo de árvore
dançando, balanceando
envolta no vento
ventarolando uma melodia
forte como a paixão
tem força e tem folia
dançando, balanceando
envolta no vento
ventarolando uma melodia
forte como a paixão
tem força e tem folia
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
feliz natal
a todos desejo a felicidade de apreciar o bom que este natal vos proporcionará.
a todos me sinto profundamente reconhecido pelo tempo que me dedicaram, ao ler os escritos deste blog.
abraço amigo,
assim...
a todos me sinto profundamente reconhecido pelo tempo que me dedicaram, ao ler os escritos deste blog.
abraço amigo,
assim...
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
conta-me uma história
conta-me uma história
pedi-te
precisava ouvir tua voz
contaste-me de ti
falaste-me de mim
desvendaste-nos
sem princesas nem fadas
revelamos encantamentos
do sentido, do arrepio
...teu tom de voz
quente, carinhoso...
conta-me uma história
pedi-te
precisava ouvir tua voz
contaste-me de ti
falaste-me de mim
desvendaste-nos
sem princesas nem fadas
revelamos encantamentos
do sentido, do arrepio
...teu tom de voz
quente, carinhoso...
conta-me uma história
até logo
só mais uma vez...
cruzamos olhares
apressados
chocamo-nos num beijo
tocamos as mãos
que arrastamos, pelos corpos
devotos
sussurramos a despedida
ainda apressados
num ciclo de tempo
um pestanejar
"só mais uma vez..."
grita a saudade
precoce
a despedida que se interrompe
de tão esbatida
algo nos puxa para o exterior
adeus...
sendo um até logo
parece um adeus.
cruzamos olhares
apressados
chocamo-nos num beijo
tocamos as mãos
que arrastamos, pelos corpos
devotos
sussurramos a despedida
ainda apressados
num ciclo de tempo
um pestanejar
"só mais uma vez..."
grita a saudade
precoce
a despedida que se interrompe
de tão esbatida
algo nos puxa para o exterior
adeus...
sendo um até logo
parece um adeus.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
embaraço
perguntaste-me porque te amava
tentei responder-te, sem convicção
expliquei "porque sim"
embaracei-me no teu olhar
e articulei um "amote", o melhor que pude
ainda sorris.
tentei responder-te, sem convicção
expliquei "porque sim"
embaracei-me no teu olhar
e articulei um "amote", o melhor que pude
ainda sorris.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
teus olhos
parei naqueles dias
quando teus olhos existiam sorridentes
porque só assim existiam
e lá fiquei,
foi por isso que para lá caminhei
e deixei-me ficar
contemplando teus olhos quentes, felizes
outra vez sorridentes
pequenos mas imensos
como imenso é o sentido, de sentir
e profundo o sentimento
gerado e crescido neles, por eles
teus olhos quentes
ainda pequenos e mais sorridentes
desafiando o meu gostar
como poderia eu não te amar?
quando teus olhos existiam sorridentes
porque só assim existiam
e lá fiquei,
foi por isso que para lá caminhei
e deixei-me ficar
contemplando teus olhos quentes, felizes
outra vez sorridentes
pequenos mas imensos
como imenso é o sentido, de sentir
e profundo o sentimento
gerado e crescido neles, por eles
teus olhos quentes
ainda pequenos e mais sorridentes
desafiando o meu gostar
como poderia eu não te amar?
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
despedida
a manhã chovia copiosamente
de chuva só e persistente
triste como a multidão
chorava, a manhã
porque se ia a companhia
que se perdera
entre a noite e a madrugada
depois a chuva amainou
e aflorou um raio do sol
como um esgar de sorriso
na despedida forçada
de chuva só e persistente
triste como a multidão
chorava, a manhã
porque se ia a companhia
que se perdera
entre a noite e a madrugada
depois a chuva amainou
e aflorou um raio do sol
como um esgar de sorriso
na despedida forçada
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
pensamento
há dias que o dia não conhece
nem reconhece
nem quer reconhecer
há dias que o dia não esquece
embora erija uma prece
para que se venha a esquecer
nem reconhece
nem quer reconhecer
há dias que o dia não esquece
embora erija uma prece
para que se venha a esquecer
pensamento
sinto-me cheio demais para escrever
muitos pensamentos, muita informação
muita confusão...
muitos pensamentos, muita informação
muita confusão...
pensamentos soltos
deus fez-nos à sua imagem
e nós fizemo-lo à nossa medida
deus ensinou-nos a amar o próximo
e nós aproximamo-nos do que amamos
e nós fizemo-lo à nossa medida
deus ensinou-nos a amar o próximo
e nós aproximamo-nos do que amamos
sábado, 1 de dezembro de 2012
remorso
quebra-se a promessa, desfaz-se
desaparece o que amamos
sem magia; por maldição
vai crescendo o ressequido
e a alma faz-se tição.
desaparece o que amamos
sem magia; por maldição
vai crescendo o ressequido
e a alma faz-se tição.
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