ficar assim
ausente
em dormente estado
olho cerrado
como a repousar
e sentir pairar
viver a paz
ensaio da morte
ainda de ninguém
e que não me peçam
para ir a além
quarta-feira, 5 de setembro de 2018
ouve-me
ouve-me
e desperta o dia
sem que acorde deste murmúrio de ser
inclinou-se
o tempo já não chega de raspão
entra e sai a pique
fende muros e corpos
ofende olhos e janelas
decepa almas e ilusões
ouve-me
não te inquietes
deixa o gato preguiçar no melhor lugar
toma-lhe esse prazer sem desejo
preserva esse tesouro
breve, porém eterno
e desperta o dia
sem que acorde deste murmúrio de ser
inclinou-se
o tempo já não chega de raspão
entra e sai a pique
fende muros e corpos
ofende olhos e janelas
decepa almas e ilusões
ouve-me
não te inquietes
deixa o gato preguiçar no melhor lugar
toma-lhe esse prazer sem desejo
preserva esse tesouro
breve, porém eterno
as árvores
aqueles seres que parecem pássaros
brotam ninhos
como flores
e se cobrem de verde cor de penugem
tocam o chão
e sendo árvores
voam ao tempo
como os pássaros
balanceando
o voo perpétuo
das aves
que sendo seres do céu
e quase árvores
habitam as árvores desde dentro
que se viu parecerem pássaros
aqueles seres que parecem pássaros
brotam ninhos
como flores
e se cobrem de verde cor de penugem
tocam o chão
e sendo árvores
voam ao tempo
como os pássaros
balanceando
o voo perpétuo
das aves
que sendo seres do céu
e quase árvores
habitam as árvores desde dentro
que se viu parecerem pássaros
terça-feira, 4 de setembro de 2018
segunda-feira, 3 de setembro de 2018
aquela que em seus ais
amachuca o rosto entre mãos amargas
por destino
tem esperança.
trá-la ao peito
no sorriso invisível de um pensamento.
não é poesia
o que a leva ao mar
nem há versos em vento,
sal e espuma, só perdimento.
e perdida se cumpre
* inspirado em sophia de mello breyner andresen; aquele que partiu
amachuca o rosto entre mãos amargas
por destino
tem esperança.
trá-la ao peito
no sorriso invisível de um pensamento.
não é poesia
o que a leva ao mar
nem há versos em vento,
sal e espuma, só perdimento.
e perdida se cumpre
* inspirado em sophia de mello breyner andresen; aquele que partiu
terça-feira, 7 de agosto de 2018
comunhão
olha, soletra a cor do mar e diz
o que sentes, essa metamorfose
de chamar de dentro o que é de fora
para ser nosso e a nossa essência
...
que simultaneidade maravilhosa
o que sentes, essa metamorfose
de chamar de dentro o que é de fora
para ser nosso e a nossa essência
...
que simultaneidade maravilhosa
quarta-feira, 20 de junho de 2018
terça-feira, 15 de maio de 2018
quinta-feira, 10 de maio de 2018
eutanásia
o que de nós perpassa
é o gume frio do orvalho lúcido da manhã
ou o entardecer embalado pelo rumor do dia?
ontem recortávamos bonecos de papel
que desdobrámos pelas janelas. a casa era nossa e
a alegria pertencia-nos.
o jardim corre (ou corria?) para nós,
toma-nos para uma roda. e abandonámos a mão...
os olhares não urdem
nada.
é outono. a folha cai sem significado.
ao gelo da madrugada responde o adormecimento.
entardece invernoso e escuro.
o horizonte hoje não veio.
é o gume frio do orvalho lúcido da manhã
ou o entardecer embalado pelo rumor do dia?
ontem recortávamos bonecos de papel
que desdobrámos pelas janelas. a casa era nossa e
a alegria pertencia-nos.
o jardim corre (ou corria?) para nós,
toma-nos para uma roda. e abandonámos a mão...
os olhares não urdem
nada.
é outono. a folha cai sem significado.
ao gelo da madrugada responde o adormecimento.
entardece invernoso e escuro.
o horizonte hoje não veio.
segunda-feira, 7 de maio de 2018
teu nome
teu nome
escreve-o 3 vezes
lê-o 3 vezes
ouve-o, escutando-te
3 vezes, soletra-o
corre-o de trás para a frente
e no inverso
se zoar íntimo
teu nome será
escreve-o 3 vezes
lê-o 3 vezes
ouve-o, escutando-te
3 vezes, soletra-o
corre-o de trás para a frente
e no inverso
se zoar íntimo
teu nome será
a palavra
a palavra em si mesma é inacabada
o som que perpassa dá-lhe íntimo.
no verso suspende-se, a palavra viva
brinca, paira.
no poema a palavra enche prenhe
a cor e forma.
a leitura corre tonalidades
de onde despontam primaveras.
claro, isto são dizeres de
imperfeições suspensas
pendentes de intimidades
talvez fecundas, como as estações
o som que perpassa dá-lhe íntimo.
no verso suspende-se, a palavra viva
brinca, paira.
no poema a palavra enche prenhe
a cor e forma.
a leitura corre tonalidades
de onde despontam primaveras.
claro, isto são dizeres de
imperfeições suspensas
pendentes de intimidades
talvez fecundas, como as estações
segunda-feira, 9 de abril de 2018
sexta-feira, 6 de abril de 2018
glossário ainda sem título
nascer
a imortalidade em ideia
o voo ao futuro
imortalidade
tédio como modalidade
inalcançável
ideia
explosão na vacuidade
a luz
o estrondo
eureka
se germina é inodora
insonsa e insonora
voar
a arte de pairar
batendo asas
ou não
futuro
uma probabilidade
em que se acredita
escrita com efe ou fê
como fé
poemar
sem tempo
reformar o sentido para sentir
voar de pés na terra
voar nos pés da terra
a imortalidade em ideia
o voo ao futuro
imortalidade
tédio como modalidade
inalcançável
ideia
explosão na vacuidade
a luz
o estrondo
eureka
se germina é inodora
insonsa e insonora
voar
a arte de pairar
batendo asas
ou não
futuro
uma probabilidade
em que se acredita
escrita com efe ou fê
como fé
poemar
sem tempo
reformar o sentido para sentir
voar de pés na terra
voar nos pés da terra
sexta-feira, 23 de março de 2018
quarta-feira, 21 de março de 2018
galgar
o verbo dos galgos
da braveza do mar
da folia do brincar
da coragem a esbanjar
da extravagância do rio
da cobiça de vencer
do ímpeto de uma lebre que foge de morrer
de um galgo que tudo galga atrás dela a correr
da braveza do mar
da folia do brincar
da coragem a esbanjar
da extravagância do rio
da cobiça de vencer
do ímpeto de uma lebre que foge de morrer
de um galgo que tudo galga atrás dela a correr
segunda-feira, 19 de março de 2018
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
monólogos
– de que lado me olhas?
– como se fosse sábado
– gostava que me visses domingo
– sábado é o início e o auge
– domingo é a solenidade
– e domingo é cansaço
– e o descansar
– acordar de ressaca
– domingo tem o entusiasmo da roupa nova, a festa e...
– gosto de partir ao sábado e deixar o domingo para reparar
– vês-me sábado?
– queres-te domingo?
(silêncio)
– acho que o lado esquerdo me favorece mais...
– como se fosse sábado
– gostava que me visses domingo
– sábado é o início e o auge
– domingo é a solenidade
– e domingo é cansaço
– e o descansar
– acordar de ressaca
– domingo tem o entusiasmo da roupa nova, a festa e...
– gosto de partir ao sábado e deixar o domingo para reparar
– vês-me sábado?
– queres-te domingo?
(silêncio)
– acho que o lado esquerdo me favorece mais...
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
sonho com os dias
abertos à luz, simples,
de coisas belas como os voos,
essas aragens frescas e
rodopiantes.
à pedra, talha-a a água inquieta
nem sempre pura
afiada de macieza e convicção
de envolver envolvendo-se.
dizer é um compromisso
convicto de envolvência.
à sombra inaudível da palavra
o impronunciável responde surdo,
em gesto vago
sumido e rouco de coisa cansada.
abertos à luz, simples,
de coisas belas como os voos,
essas aragens frescas e
rodopiantes.
à pedra, talha-a a água inquieta
nem sempre pura
afiada de macieza e convicção
de envolver envolvendo-se.
dizer é um compromisso
convicto de envolvência.
à sombra inaudível da palavra
o impronunciável responde surdo,
em gesto vago
sumido e rouco de coisa cansada.
e o dizer morre
ainda antes de nascer
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
é manhã
as ruas correm, sem esvaziar,
para as vielas, adentram portas,
um corrupio de frenesins, onde pára a quietude?
para as vielas, adentram portas,
um corrupio de frenesins, onde pára a quietude?
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
i
sobre o casario estira-se a sombra
cobre o volume de cada coisa
há um modo embriagado de tomar o tempo,
aos tragos, sentindo-o no corpo
há o esvoaçar dos pássaros, libertador,
trespassa a sombra a golpes de asa e eleva-se
ao casario
em cujo ventre os dias habitam miudezas
ii
as cidades são de um respirar ofegante
correm pela pressa de chegar
geram o burburinho da partida que preenche e
apazigua os ruídos do próprio corpo
encobre a internalidade do dia, desodoriza
e o ar corre inodoro sensabor
impaciente, a cidade estende-se
devorando o tempo, imune aos esvoaços
e ao quebrantar da sombra
interpretando a criatura que a zelará
sobre o casario estira-se a sombra
cobre o volume de cada coisa
há um modo embriagado de tomar o tempo,
aos tragos, sentindo-o no corpo
há o esvoaçar dos pássaros, libertador,
trespassa a sombra a golpes de asa e eleva-se
ao casario
em cujo ventre os dias habitam miudezas
ii
as cidades são de um respirar ofegante
correm pela pressa de chegar
geram o burburinho da partida que preenche e
apazigua os ruídos do próprio corpo
encobre a internalidade do dia, desodoriza
e o ar corre inodoro sensabor
impaciente, a cidade estende-se
devorando o tempo, imune aos esvoaços
e ao quebrantar da sombra
interpretando a criatura que a zelará
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
da tormenta à boa esperança
lançar o poema do avesso
ferrar o hálito da sede
fitar a pupila do vazio
dobrar o abismo da saudade
afundar na profundez do céu
ferrar o hálito da sede
fitar a pupila do vazio
dobrar o abismo da saudade
afundar na profundez do céu
terça-feira, 14 de novembro de 2017
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
poder-se-ia colher a tarde e
como um fruto maduro, saboreá-la
suculenta doce carnuda cheia e
sobretudo...
sobretudo olhá-la de dentro
pulsar nela
ser o pulsar dela e dela ser
pertencer-lhe
como do jardim são os seres vivos e
os bancos, esses seres ondulantes
que tomam os olhares e acolhem
corpos em despojamento
poder-se-ia colher a tarde
sobretudo
enquanto a brisa a sobrevoa e
perpassa o corpo
hum.... morno de regaço que embala
amamenta e, colhendo-se,
sobretudo
não se consome
afinal é disso que se fazem as tardes
sentidos e corpo envolto em brisa
abraços que as tardes têm
como um fruto maduro, saboreá-la
suculenta doce carnuda cheia e
sobretudo...
sobretudo olhá-la de dentro
pulsar nela
ser o pulsar dela e dela ser
pertencer-lhe
como do jardim são os seres vivos e
os bancos, esses seres ondulantes
que tomam os olhares e acolhem
corpos em despojamento
poder-se-ia colher a tarde
sobretudo
enquanto a brisa a sobrevoa e
perpassa o corpo
hum.... morno de regaço que embala
amamenta e, colhendo-se,
sobretudo
não se consome
afinal é disso que se fazem as tardes
sentidos e corpo envolto em brisa
abraços que as tardes têm
domingo, 22 de outubro de 2017
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
alguém terá a verdadeira noção de
quantos dias tem o ano?
meu dia, hoje, teve muitos dias
tantos que me esqueci de os contar
ou me perdi, perco-me sempre
na contabilidade dos dias
talvez porque sopro para o ar
na intenção de assobiar sopro as horas
voam como aviões de papel
longas e soltas, pousando aqui
e ali onde as cores chilreiam
desafiando a física do movimento
testando a química da emoção
e eu que não sei assobiar
que também não sei contar voos
esqueço-me
esqueço-me dos quantos vão
esqueço-me de mudar de dia
esqueço-me que não sei assobiar
e sopro
sopro e murmuro os dias todos de hoje
também os de amanhã, os de ontem, os de sempre
citá-os-ia como ladainha se
disso ocorresse necessidade
recordo-os como os vivo
indispensáveis, revigorantes como um banho
e imerso suponho-me onde as cores tagarelam
onde os pássaros doiram horas coloridas
que gracejam como aviões de papel felizes
alguém terá, realmente, a noção de quantos dias tem o ano?
e da insignificância dessa conta?
dessa impossibilidade insolente?
quantos dias tem o ano?
meu dia, hoje, teve muitos dias
tantos que me esqueci de os contar
ou me perdi, perco-me sempre
na contabilidade dos dias
talvez porque sopro para o ar
na intenção de assobiar sopro as horas
voam como aviões de papel
longas e soltas, pousando aqui
e ali onde as cores chilreiam
desafiando a física do movimento
testando a química da emoção
e eu que não sei assobiar
que também não sei contar voos
esqueço-me
esqueço-me dos quantos vão
esqueço-me de mudar de dia
esqueço-me que não sei assobiar
e sopro
sopro e murmuro os dias todos de hoje
também os de amanhã, os de ontem, os de sempre
citá-os-ia como ladainha se
disso ocorresse necessidade
recordo-os como os vivo
indispensáveis, revigorantes como um banho
e imerso suponho-me onde as cores tagarelam
onde os pássaros doiram horas coloridas
que gracejam como aviões de papel felizes
alguém terá, realmente, a noção de quantos dias tem o ano?
e da insignificância dessa conta?
dessa impossibilidade insolente?
terça-feira, 5 de setembro de 2017
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
esta manhã a luz sofre
um breve torpor rotativo e
sobre si mesma pensa
melhor, se debruça cogitando
sobre o dia que pretende alcançar
acontece que as sombras se avolumam
e crescem tanto que
se fundem com o universo:
este tingido de cinza
não abrilhanta
não fulmina:
a luz agora baça e fria é triste
esta manhã a luz aprendeu
algo que encomendou ao poeta
a posição fetal é para os fetos
um breve torpor rotativo e
sobre si mesma pensa
melhor, se debruça cogitando
sobre o dia que pretende alcançar
acontece que as sombras se avolumam
e crescem tanto que
se fundem com o universo:
este tingido de cinza
não abrilhanta
não fulmina:
a luz agora baça e fria é triste
esta manhã a luz aprendeu
algo que encomendou ao poeta
a posição fetal é para os fetos
segunda-feira, 17 de julho de 2017
irremediavelmente
aguardo
na invisibilidade a minha vez
não ouso. por nada me insinuo. temo
que não gostes de mim.
sol e coragem rimam até nos dias sombrios
na invisibilidade a minha vez
não ouso. por nada me insinuo. temo
que não gostes de mim.
sol e coragem rimam até nos dias sombrios
sexta-feira, 14 de julho de 2017
quarta-feira, 12 de julho de 2017
suburbanidade
a pintura que doira na camisola
está-lhe nos olhos guardada
às pinceladas: uma após outra
como os olhares que bota sobre todas as coisas
está-lhe nos olhos guardada
às pinceladas: uma após outra
como os olhares que bota sobre todas as coisas
sou um saltimbanco
nomado-me
insatisfaço-me
procuro quem me ouça
quem me olhe sem me ver
desejo quem me responda
quem me like
santimbanco-me
pela falta do sossego
de ser de estar
cintilo no espelho da água
intolero a vertigem da profundidade
claustrofobia-me achar-me em mim
saltimbanca-me
minha ambição de cintilar-me
nomado-me
insatisfaço-me
procuro quem me ouça
quem me olhe sem me ver
desejo quem me responda
quem me like
santimbanco-me
pela falta do sossego
de ser de estar
cintilo no espelho da água
intolero a vertigem da profundidade
claustrofobia-me achar-me em mim
saltimbanca-me
minha ambição de cintilar-me
quarta-feira, 31 de maio de 2017
terça-feira, 30 de maio de 2017
josé
no dorso da senhora passeio
minha aventura enxergando
onde me extinguirei, em seu seio
pressinto frio corpóreo
roça-me cinza marmóreo
o que me consome é medo
se nela me quedo em sossego
e adormecer
e se acordar eu me nego
minha aventura enxergando
onde me extinguirei, em seu seio
pressinto frio corpóreo
roça-me cinza marmóreo
o que me consome é medo
se nela me quedo em sossego
e adormecer
e se acordar eu me nego
domingo, 28 de maio de 2017
segunda-feira, 22 de maio de 2017
silêncio em 12 estações
i.
há um truque qualquer, topei-o
sumido como se fosse na areia.
era de um sólido quase palpável
até invisível. creio que
por isso o encontrei
ii.
contei a mim próprio
todo o movimento eu tinha
para o mar
ondas a secarem-se nas rochas,
quase transparentes,
a espuma, branca, é a dos dias
iii.
há sempre alguém que se senta vazio
para descansar de nadas cansativos
se aturde pelo inesperado
que o invulgar tem: quase ilógico
e pela consciência de ser quase
(um) engano da sua própria existência
há sempre alguém que torpedeia as banalidades
e nos desflora até ao olhar
sorte! é tropeçar inadvertidamente na cegueira
e despertar
iv.
emociono-me
com o que sinto, não há palavras
para dizer
v.
silêncio no olhar
germina a ideia
peregrina
silenciosa
vi.
a assimetria das linhas no rosto revelava
minúsculos desentendimentos básicos entre as faces
cada uma com seu modo de ver
vii.
olhei
um rosto de silêncios estampados
viii.
invernia
diariamente
a noite chega
mais cedo
mais tarde parte
mais tempo fica
mais tempo dura
ix.
teu nome
um regaço em concha
aberto par-em-par
vista ampla para o mar
x.
às palavras
soletrei-as para desnudar
traços das parte íntimas
impronunciáveis
agora que as sonho
brindamo-nos na intimidade
xi.
tocou-me
uma longueza penetrante
chegada de uma lonjura impossível
o olhar fito de uma criança
trazia a ingenuidade sem lugar para vergonha
xii.
tens suspiros no olhar
acomodam coisas de acontecer
simples como teimosias
de aparência intermitente
há um truque qualquer, topei-o
sumido como se fosse na areia.
era de um sólido quase palpável
até invisível. creio que
por isso o encontrei
ii.
contei a mim próprio
todo o movimento eu tinha
para o mar
ondas a secarem-se nas rochas,
quase transparentes,
a espuma, branca, é a dos dias
há sempre alguém que se senta vazio
para descansar de nadas cansativos
se aturde pelo inesperado
que o invulgar tem: quase ilógico
e pela consciência de ser quase
(um) engano da sua própria existência
há sempre alguém que torpedeia as banalidades
e nos desflora até ao olhar
sorte! é tropeçar inadvertidamente na cegueira
e despertar
iv.
emociono-me
com o que sinto, não há palavras
para dizer
v.
silêncio no olhar
germina a ideia
peregrina
silenciosa
vi.
a assimetria das linhas no rosto revelava
minúsculos desentendimentos básicos entre as faces
cada uma com seu modo de ver
vii.
olhei
um rosto de silêncios estampados
viii.
invernia
diariamente
a noite chega
mais cedo
mais tarde parte
mais tempo fica
mais tempo dura
ix.
teu nome
um regaço em concha
aberto par-em-par
vista ampla para o mar
x.
às palavras
soletrei-as para desnudar
traços das parte íntimas
impronunciáveis
agora que as sonho
brindamo-nos na intimidade
xi.
tocou-me
uma longueza penetrante
chegada de uma lonjura impossível
o olhar fito de uma criança
trazia a ingenuidade sem lugar para vergonha
xii.
tens suspiros no olhar
acomodam coisas de acontecer
simples como teimosias
de aparência intermitente
transbordância
minha mãe
falta-me a alegria dos teus olhos
a essência da tua pele
esse sabor a colo
o conforto que me chega
quando dizes: − filho
o agrado que me faz
de dentro
do início
antes do orgulho de ser
quando a felicidade é só
sentido puro
e amar é!
falta-me a alegria dos teus olhos
a essência da tua pele
esse sabor a colo
o conforto que me chega
quando dizes: − filho
o agrado que me faz
de dentro
do início
antes do orgulho de ser
quando a felicidade é só
sentido puro
e amar é!
quinta-feira, 18 de maio de 2017
édipo
minha mãe
falta-me a alegria dos teus olhos
a essência da tua pele
esse sabor a colo
o conforto que me chega
quando dizes: − filho
o agrado que me faz
de dentro
do início
antes do orgulho de ser
quando a felicidade é só
sentido puro
e amar é!
falta-me a alegria dos teus olhos
a essência da tua pele
esse sabor a colo
o conforto que me chega
quando dizes: − filho
o agrado que me faz
de dentro
do início
antes do orgulho de ser
quando a felicidade é só
sentido puro
e amar é!
terça-feira, 16 de maio de 2017
quarta-feira, 10 de maio de 2017
quinta-feira, 13 de abril de 2017
sexta-feira, 17 de março de 2017
ser azul
ser azul
tomar-se de várias cores, de azul
ser céu ou para lá rumar, em azul
estar inverso a inundar, de azul
e abarcar a terra, em azul
pintada da cor do mar, azul
e não caber, transbordar azul
de azul ser
tomar-se de várias cores, de azul
ser céu ou para lá rumar, em azul
estar inverso a inundar, de azul
e abarcar a terra, em azul
pintada da cor do mar, azul
e não caber, transbordar azul
de azul ser
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
pós-humanidade
houve tempo, os homens eram de pau
aparência seca, acastanhada, aqui
e ali uma greta na madeira fendida
flutuavam na água e no vento
sentiam-se primos das árvores
com ligação pueril à fauna
no peito suspiravam pelo pulsar universal
uns existiam no tempo do sol e das intempéries
outros especializavam-se, espantar as aves, por exemplo
alguns tomavam a vontade superior como sua,
diariamente, usavam cordões
e se moviam pela habilidade de mãos do criador
todos, mas todos mesmo, temiam o fogo que arde e queima
curtiam na boca o sabor a lenha
e adormeciam ao som do crepitar do inferno
hoje, nos tempos de hoje, os homens são
...
aparência seca, acastanhada, aqui
e ali uma greta na madeira fendida
flutuavam na água e no vento
sentiam-se primos das árvores
com ligação pueril à fauna
no peito suspiravam pelo pulsar universal
uns existiam no tempo do sol e das intempéries
outros especializavam-se, espantar as aves, por exemplo
alguns tomavam a vontade superior como sua,
diariamente, usavam cordões
e se moviam pela habilidade de mãos do criador
todos, mas todos mesmo, temiam o fogo que arde e queima
curtiam na boca o sabor a lenha
e adormeciam ao som do crepitar do inferno
hoje, nos tempos de hoje, os homens são
...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
desesperança
não há lugar para jardins
não há espaço para flores
e os pássaros não têm onde voar
não há espaço para flores
e os pássaros não têm onde voar
tombam nadas da mão
pendem estéreis os sonhos
de nadas tão nada que são
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
encantamento
da flor
acerquei-me dela
como para...
sem verbo a pétala
mimosa
acerquei-me dela
como...
a cor delicada
macieza
o mimo
acerquei-me dela
só...
existindo
acerquei-me dela
como para...
sem verbo a pétala
mimosa
acerquei-me dela
como...
a cor delicada
macieza
o mimo
acerquei-me dela
só...
existindo
terça-feira, 15 de novembro de 2016
continuando
todos os tropeços
são almas que rosnam
não te inquietes
nunca te culpes
recorda, já passou, a tua mãe
afaga o beijo que te acariciou
são almas que rosnam
não te inquietes
nunca te culpes
recorda, já passou, a tua mãe
afaga o beijo que te acariciou
de súbito
o de anuncia a eminência
que o inesperado pode ter
pontua de previsível, talvez
explica-se o nem sempre da surpresa
sendo esta um asseio
se se procura resposta a piropos
que – de súbito – são-no
todavia, esperados
criam lugar ao espanto
até justificam a estranheza
que o inesperado pode ter
pontua de previsível, talvez
explica-se o nem sempre da surpresa
sendo esta um asseio
se se procura resposta a piropos
que – de súbito – são-no
todavia, esperados
criam lugar ao espanto
até justificam a estranheza
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
azul de azuis
encanta-me o azul das folhas
tingidas desta estação
um azul de árvore fosse
de azuis que o não são
têm um fundo de céu
juntam um toque de chão
uma pinta verde cor de verão
se os verões fossem verdes
de azuis que o não são
mas o azul das folhas é
luz que morde a atenção
luz que morde a atenção
límpida como o ar
tem a frescura do mar
tão livre como o pairar
cadenciando ao pulsar azul
do coração em azul peito
se os peitos fossem
azuis que o não são
terça-feira, 11 de outubro de 2016
existenciar
o passado é de matéria inconstante.
o futuro sustenta-se na ideia de eternidade.
o presente urde-se mutante e eterno; é
uma impossibilidade: em sentido concreto
confirma a existência como milagre.
o futuro sustenta-se na ideia de eternidade.
o presente urde-se mutante e eterno; é
uma impossibilidade: em sentido concreto
confirma a existência como milagre.
preguiçar
encosto o olhar ao
pensamento em fim-de-tarde, por aí ficar,
largueza fora, planura
saboreando o ar
o ideal sem sonhar
pairar ameno, leveza em sentimento
instante pleno, ápice
corpo a assoalhar
piscos, os olhos teimam
fechar e tudo verem, ainda tocar
o reluzente acontecendo
crepitar do entardecer
pensamento em fim-de-tarde, por aí ficar,
largueza fora, planura
saboreando o ar
o ideal sem sonhar
pairar ameno, leveza em sentimento
instante pleno, ápice
corpo a assoalhar
piscos, os olhos teimam
fechar e tudo verem, ainda tocar
o reluzente acontecendo
crepitar do entardecer
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Coimbra
um certo ar de ser
Coimbra
corre-te nas artérias
um fundo encapelado
rimando com resignado
Coimbra
uma rima improvável
um quase sem sentido
como em ti, Coimbra
o o e o i recusam o ditongo
enleiam-se na consoante
e formam sílaba, a sua.
então unem-se na palavra
acentuando-se
Coimbra
corre-te nas artérias
um fundo encapelado
rimando com resignado
Coimbra
uma rima improvável
um quase sem sentido
como em ti, Coimbra
o o e o i recusam o ditongo
enleiam-se na consoante
e formam sílaba, a sua.
então unem-se na palavra
acentuando-se
Coimbra
de vontades várias
Coimbra
de sonância assíncrona
de vontades várias
Coimbra
de sonância assíncrona
sábado, 20 de agosto de 2016
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
a cor desacanha o dia
é de azuis e amarelos
de verdes e vermelhos
em tom de ser alumia
é uma cor que grita, canta
e ri
é uma cor que pula, voa e
anda
é cor a porta, janela e
autocarro
em tom de rua ensolarada
de manhã pequena desocupada
a passo gerúndio corado
é domingo ou será sábado
podendo ser até feriado
podendo ser até feriado
quinta-feira, 28 de julho de 2016
i.
as flores se aprimoram por gerações
para seduzirem, o que fazem com mestria:
são belas, ainda que se desconheça o propósito:
algumas para se alimentarem,
outras pelo nobre desígnio da reprodução
ii.
há um vento que concorda comigo
falo e ouve-me
ouço-o, responde-me rumor de folhas
e refresca-me
a cadeira em que repouso bamboleia
suave, pendulando concordância
as flores se aprimoram por gerações
para seduzirem, o que fazem com mestria:
são belas, ainda que se desconheça o propósito:
algumas para se alimentarem,
outras pelo nobre desígnio da reprodução
ii.
há um vento que concorda comigo
falo e ouve-me
ouço-o, responde-me rumor de folhas
e refresca-me
a cadeira em que repouso bamboleia
suave, pendulando concordância
quarta-feira, 27 de julho de 2016
o rei dos peixes
eu pequeno
à lareira, meu avô dizia histórias fantásticas,
chamava-as de contos.
adorávamos o do rei dos peixes,
sabíamo-lo de cor: magnífico.
meu avô enchia-nos do melhor que imaginávamos,
era o rei, tal a força da sua generosidade,
eu era peixe para ter um rei assim
à lareira, meu avô dizia histórias fantásticas,
chamava-as de contos.
adorávamos o do rei dos peixes,
sabíamo-lo de cor: magnífico.
meu avô enchia-nos do melhor que imaginávamos,
era o rei, tal a força da sua generosidade,
eu era peixe para ter um rei assim
quarta-feira, 20 de julho de 2016
ares da beira-mar
o marulho deste mar tem
ondas pequenas, chegam e
enrolam-se nas pedras às risadinhas
vejo as pedras hilariarem-se pelo contorno
das ondas e pelos banhos de salpicos
foliam duas formas da mesma realidade
ao largo, as ondas são mais
vigorosas: enormes roncadoras como
fossem soltas de longa clausura
ou
empurradas por força maior
que desconhecem
provirão da agitação dos peixes
pujantes no bater de barbatanas e
nos jorros de água que expelem de guelras arejadas
ou
ainda, serão coisa de sereia:
sabe-se que instigam o mar
que ondula a voz de água e sal
em melopeia de encanto, se matiza
a aragem, cantando
a realidade tem uma presença de vento
toma todas as formas, até as mais invisíveis
ondas pequenas, chegam e
enrolam-se nas pedras às risadinhas
vejo as pedras hilariarem-se pelo contorno
das ondas e pelos banhos de salpicos
foliam duas formas da mesma realidade
ao largo, as ondas são mais
vigorosas: enormes roncadoras como
fossem soltas de longa clausura
ou
empurradas por força maior
que desconhecem
provirão da agitação dos peixes
pujantes no bater de barbatanas e
nos jorros de água que expelem de guelras arejadas
ou
ainda, serão coisa de sereia:
sabe-se que instigam o mar
que ondula a voz de água e sal
em melopeia de encanto, se matiza
a aragem, cantando
a realidade tem uma presença de vento
toma todas as formas, até as mais invisíveis
sexta-feira, 15 de julho de 2016
terça-feira, 28 de junho de 2016
sexta-feira, 17 de junho de 2016
disgrafia
escrever
de luz apagada, escrever
palavras encavalitadas
de letras, também
em frases que se julgam versos
seres iluminados
emergentes
da escuridão que apaga a luz
no adro onde convivem cegueiras
de luz apagada, escrever
palavras encavalitadas
de letras, também
em frases que se julgam versos
seres iluminados
emergentes
da escuridão que apaga a luz
no adro onde convivem cegueiras
rumoreja
rumoreja
por enquanto rumoreja, só
a um odor morno anunciador
do verão, ainda brisa
e ouve-se
esse bater de asa ocioso
a cigarra ou a abelha
que escuto borboleta
e rumoreja
vaga de onda
esse vai e vem sem fim
de um indecifrável embalo
rumoreja
em suspenso de flor
belo leve livre maior
de interpretar
saboreando o ciciar
rumoreja
por enquanto rumoreja, só
a um odor morno anunciador
do verão, ainda brisa
e ouve-se
esse bater de asa ocioso
a cigarra ou a abelha
que escuto borboleta
e rumoreja
vaga de onda
esse vai e vem sem fim
de um indecifrável embalo
rumoreja
em suspenso de flor
belo leve livre maior
de interpretar
saboreando o ciciar
rumoreja
terça-feira, 31 de maio de 2016
talvez
o dia seja uma partícula mínima
onde assentamos momentaneamente.
depois, algures durante o sono,
muda-se a partícula
e acordamos noutra que não distinguimos da anterior.
as partículas sucedem-se,
porém, vemo-nos sempre na antecedente,
há mudanças que nunca percebemos. por vezes,
esforçamo-nos para que tudo fique igual:
desejamos o imutável...
o passado, em todas as suas partículas,
ensinou-nos o desfrutar do presente,
o futuro serve-nos a utopia
com que ocupamos o agora, o que nos faz levantar,
preparar o pulo,
o que realizamos durante o sono,
para a partícula seguinte.
talvez.
o dia seja uma partícula mínima
onde assentamos momentaneamente.
depois, algures durante o sono,
muda-se a partícula
e acordamos noutra que não distinguimos da anterior.
as partículas sucedem-se,
porém, vemo-nos sempre na antecedente,
há mudanças que nunca percebemos. por vezes,
esforçamo-nos para que tudo fique igual:
desejamos o imutável...
o passado, em todas as suas partículas,
ensinou-nos o desfrutar do presente,
o futuro serve-nos a utopia
com que ocupamos o agora, o que nos faz levantar,
preparar o pulo,
o que realizamos durante o sono,
para a partícula seguinte.
talvez.
domingo, 29 de maio de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
pulsão
mantinha a luz acesa,
sempre, o quadradinho luzente
era seu; o ato: adornar a rua,
queria-a radiosa.
via-a menear-se vaidosa e nua
passeando sua
janela brinco, colar
pingente, anel,
jóia em corpo encastoada:
o luzir permanente.
sempre, o quadradinho luzente
era seu; o ato: adornar a rua,
queria-a radiosa.
via-a menear-se vaidosa e nua
passeando sua
janela brinco, colar
pingente, anel,
jóia em corpo encastoada:
o luzir permanente.
quarta-feira, 25 de maio de 2016
e se desconversássemos um pouco
— sugere-me o poema —
para despojarmos as palavras do comum
que o sentido lhes venha do som gerado no íntimo
para as conversas desabotoarem enredos
em vez de descreverem um enleado de tangentes
para que as pessoas sigam mãos-dadas com os poemas
fossem filhos com os pais
para ouvirmos a voz de dentro: a que declama
a poesia que desagua em nós
perfeitos são os versos ditos no olhar do encontro:
o poema cristalino
— sugere-me o poema —
para despojarmos as palavras do comum
que o sentido lhes venha do som gerado no íntimo
para as conversas desabotoarem enredos
em vez de descreverem um enleado de tangentes
para que as pessoas sigam mãos-dadas com os poemas
fossem filhos com os pais
para ouvirmos a voz de dentro: a que declama
a poesia que desagua em nós
perfeitos são os versos ditos no olhar do encontro:
o poema cristalino
quinta-feira, 12 de maio de 2016
a oposição
eles
acumulam ódios
usaram os seus como lastro
acamam os restantes
camada a camada
enche-os um pesadume
afogar-se-ão berrando impropérios
todos precisamos quem reme
cada qual no seu estilo
todos no mesmo rumo
acumulam ódios
usaram os seus como lastro
acamam os restantes
camada a camada
enche-os um pesadume
afogar-se-ão berrando impropérios
todos precisamos quem reme
cada qual no seu estilo
todos no mesmo rumo
sexta-feira, 6 de maio de 2016
dos beirais
dos beirais
a água pula
gotejam pardais
líquidos chilreios
chapinham
traquinam
crepita abril
maio e muito mais
a água pula
gotejam pardais
líquidos chilreios
chapinham
traquinam
crepita abril
maio e muito mais
quinta-feira, 5 de maio de 2016
pelas borboletas reconhecemos o borboletear
dos dias
em modo sem remorso de ondear florindo
trajetos
há seres que recusam o voo direto
reto geométrico do pardal ou
do faísco de chuva
o encanto toma todas as formas
e ao movimento que as traça, demora-o
o necessário para encantar
como o dar-se da figura de bailado
dos dias
em modo sem remorso de ondear florindo
trajetos
há seres que recusam o voo direto
reto geométrico do pardal ou
do faísco de chuva
o encanto toma todas as formas
e ao movimento que as traça, demora-o
o necessário para encantar
como o dar-se da figura de bailado
segunda-feira, 2 de maio de 2016
4 fragmentos do amanhecer
1.
há rumor nas madrugadas:
um não-sei-quê do que poderia ser,
um odor a 2.ª oportunidade.
2.
as folhas libertam manhã: iluminam e
movem-se leves sem preguiça;
há um fresco de terra que as inunda.
e roçam-se pela cauda do vento
lá rodopiam um sorriso matreiro:
o burburinho do despertar.
3.
o sopro das palavras carrega-lhes a melodia;
todo o dito tem fundo de ventania.
4.
agrada-me em deus a esperança:
uma espécie de utopia endeusada.
há rumor nas madrugadas:
um não-sei-quê do que poderia ser,
um odor a 2.ª oportunidade.
2.
as folhas libertam manhã: iluminam e
movem-se leves sem preguiça;
há um fresco de terra que as inunda.
e roçam-se pela cauda do vento
lá rodopiam um sorriso matreiro:
o burburinho do despertar.
3.
o sopro das palavras carrega-lhes a melodia;
todo o dito tem fundo de ventania.
4.
agrada-me em deus a esperança:
uma espécie de utopia endeusada.
passar da aurora
desabotoa-se a aurora
corpo morno em manhã fria
chama em luz vinda de seio
o que acarinha e alimenta
o que acolhe e irradia
até que aurora seja dia
corpo morno em manhã fria
chama em luz vinda de seio
o que acarinha e alimenta
o que acolhe e irradia
até que aurora seja dia
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